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“A Pequena Sereia”, de Rob Marshall é mais um clássico da Disney que se transforma em apenas um produto

“A Pequena Sereia”, de Rob Marshall é mais um clássico da Disney que se transforma em apenas um produto

Em 2019 àDisney trouxe a tona uma nova era para seus clássicos animados que estavam empoeirados dentro do armário. Podemos dizer que “O Rei Leão” de Jon Favreau foi o pioneiro dessa era live-action, a produção dividiu opiniões, mas o estúdio não se importou tanto e seguiu com o plano. Desde então tivemos o esquecível Mulan (2020), Aladdin (2019) e a melhor ideia possível, um derivado de os 101 Dálmatas, “Cruella” (2021). Para esse ano de 2023, a Disney contou com o cineasta estado-unidense Rob Marshall para dirigir “A Pequena Sereia”, baseado na animação de 1989, o filme visa recriar a magia da produção original através de um olhar contemporâneo.

A mais jovem das filhas do Rei Tritão (Javier Bardem), e a mais desafiadora, Ariel (Halle Bailey) anseia por descobrir mais sobre o mundo além do mar e, ao visitar a superfície, se apaixona pelo arrojado Príncipe Eric (Jonah Hauer-King). Com sereias proibidas de interagir com humanos, Ariel faz um acordo com a malvada bruxa do mar, Ursula (Melissa McCarthy), que lhe dá a chance de experimentar a vida na terra, mas acaba colocando sua vida — e a coroa de seu pai — em perigo.

Em primeira urgência se fosse para definir “A Pequena Sereia” de Rob Marshall em uma palavra, definiria como encantador. Sim, o filme consegue transmitir tudo ou quase tudo que a animação nos ofereceu lá em 89 e perpetuou ao longo dos anos, mas isso se você tiver uma visão mais rasa sobre o filme de Marshall. Tudo, ou quase tudo está aqui, um oceano cheio de cores, uma jovem sereia sonhadora que adora se aventurar e uma vilã que está disposta fazer a vida de Ariel desmoronar por conta do reinado Rei Tritão.

Já faz alguns anos que as mídias tentam oferecer novas perspectivas sobre alguns dos seus conteúdos, no cinema não seria diferente, um exemplo mais recente disso foi em “Super Mario Bros. O Filme”, se antigamente estávamos acostumados ver o Mario em uma jornada para salvar a princesa, dessa vez vemos a princesa ajudando o Mario a salvar alguém querido. Tanto Marshall e principalmente o roteiro escrito por David Magee estão perdidos nessa narrativa, não que aqui seja uma história do príncipe Eric em busca de salvar a Ariel, mas incomoda ver que o sonho da protagonista é sair da sua realidade para viver ao lado de um homem. Algo que poderia ficar na animação dos anos 80, não é mesmo? ou então os caminhos se inverterem.

Um acréscimo muito bom aqui é o conflito pessoal que o Rei Tritão possui consigo mesmo. Ele está sempre tentando proteger Ariel dos perigos dos mares e principalmente da superfície, ele conta com a ajuda de Sebastião (Daveed Diggs) para tal tarefa, mas ele vai ter que viver uma questão de amadurecimento para entender que não consegue possuir o controle sobre sua filha. Particularmente falando, essa é a melhor mensagem que o filme transmite durante seus 135 minutos.

Além de Sebastião, outros personagens importantes do longa original estão presentes, Linguado (Jacob Tremblay) e Sabidão — ou Sabidona, vivido por uma brilhante Awkwafina que serve como alívio cômico para o filme. Se bem que não precisamos tanto de um alívio, já que o longa-metragem não possui uma carga dramática densa. Além das cores que Dion Beebe resolve usar na sua fotografia. Se em pré-produção o filme já foi criticado pela falta de cores, ela ainda continua em alguns momentos, mas só naqueles quando Úrsala aparece e quando Ariel está em perigo, de resto tudo é colorido e possui cores vivas.

Este que vos escreve não é um grande fã de musical, e praticamente a maioria das cenas de “A Pequena Sereia” nos levam a cantoria, isso não me agrada tanto, mas se você é um apreciador, pode ter certeza que vai se sentir bem servido, além disso somos agraciados com a voz de Halle Bailey. Bailey é a Ariel. Ponto. Ela é Ariel. Ignore qualquer comentário preconceituoso e se agarre a uma jovem atriz que vive uma personagem fictícia que se entrega na sua atuação. Ao lado dela, como antagonista, Melissa McCarthy é tão boa vilã que nos deixa um gosto de ‘quero mais’.

No final das contas, “A Pequena Sereia” é um filme mediano que possui seus altos e baixos, possivelmente daqui uns anos pode existir uma possibilidade da produção entrar numa lista de filmes esquecíveis, mas por conta da falta de coragem e ousadia de Rob Marshall e principalmente da Disney de impor novas abordagens para seus clássicos. Sabemos que uma empresa como a Disney sempre vai visar lucros e não acho errado dela usufruir das suas grandes marcas que já renderam bastante para os cofres, entretanto esses remakes em formato de live-action podem ser mais ousados. O que nos resta é esperar o próximo da fila.