“É Assim Que Acaba”, dirigido por Justin Baldoni, oferece uma análise comovente dos aspectos de um relacionamento abusivo. Baseado no livro de Colleen Hoover, o enredo explora como Lily Bloom enfrenta e luta contra a dinâmica tóxica e opressiva em seu relacionamento com Ryle Kincaid. A narrativa não apenas retrata a dor e o isolamento frequentemente associados a esses relacionamentos, mas também destaca a força necessária para romper ciclos de abuso e buscar um futuro melhor. A direção de Baldoni dá vida a essas questões, proporcionando ao público uma visão impactante e educativa sobre os desafios e as escolhas que envolvem relacionamentos abusivos.
Lily Bloom, interpretada por Blake Lively, decide começar uma nova vida em Boston e tentar abrir o seu próprio negócio. Como consequência de sua mudança, Lily acredita ter encontrado o amor verdadeiro com Ryle (vivido por Justin Baldoni, que além de dirigir, também atua), um charmoso neurocirurgião. No entanto, as coisas se complicam quando um incidente doloroso desencadeia um trauma do passado e quando seu primeiro amor reaparece.
Baseado na obra literária de mesmo nome, concebida pela escritora norte-americana Colleen Hoover, que também assina o roteiro, o filme não adapta a obra do começo ao fim, mas os 131 minutos de produção tentam agradar tanto aos fãs quanto a novos espectadores. A direção de Baldoni, embora não tente ser extravagante e esteja repleta de clichês, é uma questão subjetiva, dependendo das expectativas e exigências individuais dos espectadores.
Lily e Ryle começam um romance avassalador, um romance que todos gostariam de viver. A construção desse amor é apoiada pela edição do longa, que apresenta diversas cenas dos dois e muitos beijos e abraços. No entanto, “É Assim Que Acaba” não se trata apenas de felicidade; o filme vai além disso e busca educar e alertar sobre as relações afetivas que escolhemos.
Blake Lively e Justin Baldoni têm estilos e presenças distintas, o que pode influenciar como sua química é percebida na tela. Alguns podem achar que não há uma conexão forte entre eles, enquanto outros podem enxergar uma dinâmica interessante e complementar. No entanto, o personagem Atlas, vivido por Brandon Sklenar, parece ter uma química mais forte com Lively nas cenas em que compartilham a tela. Existe um elo significativo entre seus personagens, mas prefiro não me aprofundar para não estragar a experiência dos outros.
Infelizmente, “É Assim Que Acaba” às vezes se assemelha a uma novela global, com um roteiro que utiliza recursos preguiçosos, como personagens interconectados por coincidências forçadas. Se Baldoni não tentou evitar elementos repetitivos em seu filme, é justo afirmar que os clichês estão presentes.
Sempre há sinais antes de entrarmos em uma relação abusiva, e isso é bem ilustrado com Ryle. Assim como Lily, acabamos ficando cegos pelos fatores positivos que ofuscam esses sinais. A personagem Lily é uma guerreira, superando a cada adversidade e se tornando um exemplo para outras mulheres.
O melhor momento do filme é o final, quando Lily enfrenta e toma decisões difíceis. Enquanto no começo ela evita responsabilidades, no final ela combate. Além disso, “É Assim Que Acaba” levanta uma discussão sobre o sofrimento de pessoas que não vivem uma relação abusiva, mas estão próximas a uma. O ponto mais forte do filme é quando uma personagem diz a Lily que gostaria que algo acontecesse, mas que, se isso acontecer, ela não seria mais amiga da protagonista.
“É Assim Que Acaba” é uma adaptação digna que pode agradar alguns fãs da obra original. Esses espectadores terão que lidar com uma direção de Justin Baldoni que se apoia em soluções pouco ousadas. Embora o filme possa não se destacar por sua inovação ou ousadia, ele consegue comunicar uma mensagem significativa e relevante sobre a tomada de decisões.