Quando se começa um novo ano sempre surge a pergunta sobre o que Warner e Disney vão lançar no gênero de super-herói. Nesse ano de 2023 existe uma expectativa sobre Warner/DC Comics depois da chegada de James Gunn ao estúdio para organizar ou começar do zero o novo universo cinematográfico da DC Comics. “Besouro Azul”, dirigido por Ángel Manuel Soto já era um projeto da casa antes da chegada de Gunn, no entanto, existem boatos que essa nova produção da Warner foi bem vista por Gunn e fará parte do que vem pela frente da DC no cinema.
Recém-formado, Jaime Reyes (Xolo Maridueña) volta para casa cheio de expectativas para o futuro, mas logo descobre que seu lar não é mais o mesmo. Enquanto tenta encontrar seu propósito no mundo, o destino intervém e faz chegar às mãos de Jaime uma antiga relíquia da biotecnologia alienígena — o Escaravelho. Quando o Escaravelho escolhe Jaime como seu hospedeiro simbiótico, sua vida muda para sempre. Ele ganha uma incrível armadura que lhe dá poderes para se tornar o Besouro Azul.
“Besouro Azul” chega aos cinemas sem pressão, sem precisar contar uma história pensando em amarrar a outra história de algum filme do futuro (não falo de continuação). Aqui temos um roteiro escrito por Gareth Dunnet-Alcocer com início, meio e fim e se a Warner quiser botar um basta em “Besouro Azul” daria para comemorar já que finalmente conseguimos acompanhar um longa-metragem avulso sem precisar assistir uma penca de filmes do passado e esse aqui não precisa influenciar o que vem pela frente. Porém, já sabemos que isso não vai acontecer, como já foi dito, provavelmente ele fará parte de um universo, mas temos que destacar o feito.
A motivação da vilã Victoria Kord (Susan Abigail Sarandon) é bem similar ao “Homem de Ferro 2”, criar soldados com armaduras indestrutíveis para propor mais segurança ao mundo, mas já sabemos que não é assim que funciona. Para confrontar Victoria, tem sua sobrinha Jeniffer, vivida por Bruna Marquezine, é através de Jenny que Jaime consegue seus poderes.
Falando sobre pressão, se tem uma pessoa que aparenta está bastante confortável em seu papel é Marquezine, tudo bem que a personagem não exige muito da atriz, entretanto, Bruna consegue convencer com sua performance. Ela simplesmente mostra a assinatura de parte das atrizes globais: chorar com facilidade. Possivelmente ela consiga novos trabalhos através desse bom desempenho. Podemos dizer que Bruna conseguiu escolher o trabalho certo para começar uma carreira internacional.
O restante do elenco pode ser considerado como alívio cômico, não que “Besouro Azul” seja um longa sombrio e realista da DC que assistimos ao longo dos anos produzidos pela Warner, mas Nana, Alberto, Rudy, Milago e Rocio fazem toda a diferença no tom bem humorado do filme e como cada um deles possuem sua importância dentro da trama.
Sem nenhuma novidade, aqui é mais um filme de herói que faz diversas referências sobre cultura pop, mas nesse caso acaba sendo mais particular devido fazer piadas que servem até como homenagens a cultura mexicana televisiva, impossível não identificar e gargalhar. O filme de Soto na maioria das vezes decide fazer questão de mostrar a sua representatividade latina, mas falha por colocar apenas algumas falas com o idioma pertencente a maioria do seu elenco. Sim, temos Marquezine falando uma frase bem curta em português.
No geral, prefiro elogiar as cenas de ação de “Besouro Azul” que são bem dirigidas, coreografadas e além de tudo possível de entender o que está acontecendo, já que temos um nível de iluminação agradável mesmo em cenários mais escuros. Pouco sabemos se “Aquaman and the Lost Kingdom” vai ser lançado ainda nesse ano ou adiado para 2024, então “Besouro Azul” tem a responsabilidade de limpar a barra de um estúdio que só vem derrapando com seus lançamentos recentes.
Em última análise, o filme de Ángel Manuel Soto é eficiente devido ter uma trama que se encerra durante os seus 127 minutos, mesmo tendo um gancho para uma continuação. “Besouro Azul” não é nada surpreendente ou distante do que estamos acostumados a assistir nesse gênero, porém ele vai conseguir entreter quem ainda segue entusiasmado com qualquer coisa de super herói nos cinemas.