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“Better Man — A História de Robbie Williams”, dirigido por Michael Gracey, redefine a jornada musical do ícone britânico

“Better Man — A História de Robbie Williams”, dirigido por Michael Gracey, redefine a jornada musical do ícone britânico

Antes de qualquer coisa, é muito importante informar que “Better Man — A História de Robbie Williams” não é um derivado da franquia Planeta dos Macacos; trata-se da cinebiografia do cantor britânico Robbie Williams, como o próprio título indica. O filme é o mais recente trabalho do cineasta Michael Gracey. Como dá para notar pela imagem, o macaco representa Robbie no filme, mas essa escolha não é por acaso. Desde sua primeira aparição, aos 8 anos, sendo ridicularizado por seus colegas de escola, Williams é retratado como um macaco. Todos os outros personagens no filme são representados como seres humanos reais. Essa escolha visual reflete a própria percepção de Williams, compartilhada em suas conversas com Gracey, de que, ao subir no palco, ele se vê principalmente como um macaco destinado a entreter o público.

Como na maioria das cinebiografias, muitas partes foram alteradas, omitidas ou suavizadas neste filme em particular. No entanto, acredito que isso só incomodará os grandes fãs de Williams, aqueles que conhecem bem sua trajetória, sua entrada no Take That, os altos e baixos da carreira solo e outros detalhes de sua caminhada no mundo da música. Se esse longa-metragem não for o bastante, existe uma minissérie documental de 2023 na Netflix sobre o Robbie Williams.

O roteiro, assinado pelo trio Simon Gleeson, Michael Gracey e Oliver Cole, não transforma Robbie Williams em um santinho — e talvez esse seja o grande acerto da equipe. Diferente de “Bohemian Rhapsody”, que tenta o tempo todo ilustrar Freddie Mercury como um prodígio da música através de devaneios, “Better Man” evidencia que Williams teve suas imperfeições. Ele estava longe de ser um Mercury, mas batalhou para chegar onde sempre desejou. Como era de se esperar, à medida que sua fama cresce, a pressão para se manter no topo se torna insuportável, e seus vícios atingem um ponto crítico. Os problemas de Williams com drogas se tornam tão graves que a grande dúvida passa a ser: ele chegará ao fundo do poço antes ou depois de se apresentar para 125.000 fãs no lendário palco de Knebworth?

Os números musicais aqui são todos muito bons. Com “Better Man”, Gracey prova que é um visionário quando se trata de criar sequências musicais envolventes e, talvez o mais importante, surpreendentes. Better Man traz principalmente sucessos do catálogo de Williams, inclusive nas cenas do Take That. Em um número longo, a banda dança pelas ruas do SoHo, em Londres, ao som de Rock DJ. O uso de efeitos visuais é intenso, mas a combinação de coreografia, cinematografia, design de produção e enquadramento faz dessa sequência um verdadeiro espetáculo. Quase eufórico. E não é o único momento assim.

Sem dúvidas, os elementos musicais elevam o filme a um patamar artístico impressionante, tornando-o uma grata surpresa. Repito: a ideia de retratar Williams como um macaco em CGI (capturado fisicamente por Jonno Davies e pelo próprio Williams na fase adulta) é um acerto criativo e até mesmo inovador dentro desse subgênero de cinebiografias.

De modo geral, “Better Man — A História de Robbie Williams” é uma experiência única e, como dito no parágrafo anterior, uma grata surpresa. Ainda mais se tratando de um musical, já que os últimos lançamentos do gênero em 2024 dividiram bastante a opinião de quem é fã. Para ser mais direto: se você gostou de “Rocketman”, a cinebiografia de Elton John, certamente ficará satisfeito com os 136 minutos do mais novo trabalho de Michael Gracey.