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“Clube dos Vândalos”, um drama de época dirigido por Jeff Nichols

“Clube dos Vândalos”, um drama de época dirigido por Jeff Nichols

Jeff Nichols é um cineasta com uma filmografia variada, que inclui ficção científica, um conto clássico sobre a maioridade e um drama sobre injustiça racial. Agora ele nos entrega “Clube dos Vândalos”, um filme de época sobre um lendário clube de motoqueiros que vivem intensamente em cima das suas motocicletas.

Depois de um encontro casual em um bar local, Kathy Cross (Jodie Comer) se sente atraída por Benny (Austin Butler), o mais novo membro do clube de motociclismo do meio-oeste, os Vândalos, liderados e criado por Johnny (Tom Hardy). O clube começa a evoluir, transformando-se de um ponto de encontro para estrangeiros em um perigoso submundo de violência, forçando Benny a escolher entre Kathy e sua lealdade ao clube.

Inspirado no livro de fotos documentais, “Bikeriders” de Danny Lyon, de 1969, O trabalho de Jeff Nichols centra-se nas figuras-chave do semificcional clube de motociclistas Clube dos Vândalos. A maior parte da narrativa do filme é contada através das lembranças de Kathy, ela compartilha suas memórias e opiniões com Danny (Mike Faist), um estudante de fotografia que faz gravações dos áudios das histórias contadas (assim como o Lyon fez). Definitivamente, aqui é um filme baseado em um livro onde em algumas cenas vemos o processo de produção.

Kathy vai descrevendo para Danny todos os acontecimentos que ocorriam dentro do grupo. Apesar ser uma história ficcional, sabemos que esse estilo de vida já foi bastante popular, tenho quase certeza que atualmente exista clubes de motociclistas, mas longe de ser similar como é representado nessa produção. Os Vândalos levavam a vida de um jeito único, muita bebida, brigas e crimes.

Tudo começou por Johnny, ele é um eletricista e pai de família que mora em Chicago e acabou tendo a ideia do clube depois de ver Marlon Brando com roupas de motociclista na televisão. Hardy tem um desempenho absolutamente muito bom como Johnny. Talvez seja seu melhor trabalho nos últimos anos.

A personagem de Kathy oferece uma perspectiva externa e interna para a ascensão do clube; ela é o coração e a alma do filme. Sempre quando o longa-metragem está no seu melhor momento é por conta da atuação de alto nível de Jodie Comer. Austin Butler está em alta, é um dos nomes em ascensão, no entanto, aqui sua atuação é silenciosa. Seu personagem possui poucas falas, frio e tem um olhar misterioso. No meio de tanta brutalidade, o roteiro escrito pelo o próprio Nichols tenta dar um pouco de frescor com o romance entre Kathy e Benny.

“Clube dos Vândalos” é um longa-metragem bem linear. Não tem altos e baixos, ele segue em linha reta disposto em mostrar o estilo de vida daquela gente e nada mais além disso. Não que isso seja demérito, mas a partir que o filme começa apresentar convergências dentro do clube, os créditos finais decidem subir.

Dito isso, Nichols captura genuinamente o espírito da época em particular e consegue despertar a sua atenção, mesmo que você nunca tenha tido interesse na vida daqueles bandos de motociclistas que já cruzaram por você na estrada. Mas por favor, ao contrário de alguns infelizes membros do Clube dos Vândalos, lembre-se de usar capacete.