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Com “As Tartarugas Ninja: Caos Mutante”, Jeff Rowe entende a essência dos personagens e torna eles legais novamente

Com “As Tartarugas Ninja: Caos Mutante”, Jeff Rowe entende a essência dos personagens e torna eles legais novamente

As Tartarugas Ninja é um produto americano que foi e ainda é impactante para diversas gerações. Criada nos anos 80, já nos deparamos com diferentes adaptações que se proliferam em múltiplos formatos de mídia. Originalmente em quadrinhos, séries animadas, vídeo games, animações e filmes live actions. Mais uma vez temos uma animação dos quatro irmãos tartarugas, aqui temos uma grata surpresa dirigida pelo o estreante Jeff Rowe, mas que conta com a experiência dos co-roteiristas e produtores Seth Rogen e Evan Goldberg, que aplicam a mesma irreverência de “Festa da Salsicha” (2016). Em “As Tartarugas Ninja: Caos Mutante”, eles distanciam a história dos quatro irmãos que tiveram suas imagens sujas no fatídico “As Tartarugas Ninja” (2014), de Michael Bay para algo mais divertido e agradável.

Em “As Tartarugas Ninja: Caos Mutante” temos mais uma história de origem sendo contada, no entanto é uma introdução bem rápida as tartarugas de como receberam suas qualidades mutantes quando um lodo tóxico, projetado pelo cientista Baxter Stockman (Giancarlo Esposito), caiu sobre elas quando eram bebês, o mesmo aconteceu com o pai delas, Splinter (Jackie Chan). Splinter teme que os humanos ordenhem ele e os meninos (uma piada repetitiva durante o filme), então, para protegê-los, ele treinou seus filhos tartarugas em artes marciais através de filmes de kung fu, tutoriais no YouTube, etc. Agora, os descendentes Michelangelo (Shamon Brown Jr.), Donatello (Micah Abbey), Raphael (Brady Noon) e Leonardo (Micah Abbey) andam pelos esgotos, sonhando em ser adolescentes normais.

Como já dito, o roteiro escrito por Rogen e Goldberg foca no objetivo das Tartarugas serem aceitas pelos os humanos. Para ser mais direto, essa é a crítica social que a projeção carrega em torno dos seus 100 minutos de duração. Após Splinter passar pela mutação, ele tenta conviver em sociedade e acaba sendo rejeitado pelos os humanos, desde então ele criou em sua cabeça que todos os humanos são como aquelas e que os garotos não devem ter contatos com eles. Em modo geral, o filme até acertar sobre sermos uma espécie que somos intolerantes a determinadas diferenças, mas também sabemos que nem todas pessoas são intolerantes, e aqui essas são representadas por April O’Neil (Ayo Edebiri), que está com um visual diferente do que estamos acostumados, mas esse também é bem-vindo.

O filme de Jeff Rowe tem uma linguagem bem atual, a produção entrega exatamente tudo o que animações e até mesmo live actions vem entregando recentemente: piadas descoladas e referências, bastante referências. Como citei no primeiro parágrafo, As Tartarugas Ninjas é um produto americano e aqui elas estão mais americanizadas ainda citando tudo, ou quase tudo que a cultura americana oferece. Isso não é nada inovador e acho que o filme não quer inovar ou inventar a roda. A Paramount aqui só deu mais uma oportunidade para personagens históricos e deu essa possibilidade de estreia a Rowe fazer algo com eles minimamente descente. Bom…é o que acontece.

Não sou um grande conhecedor do cânone das Tartaturas Ninjas, mas vilões como Bebop e Rocksteady não deixam de estar presente, porém, eles são utilizados de uma forma que não estamos acostumados a ver. Destruidor, o mais conhecido de todos, até o momento não está presente, no lugar dele está o Super Mosca, outra espécie de mutante que tem plano bem manjado, mas é melhor não se aprofundar muito nisso para não estregar a experiência alheia. Tirando o Super Mosca, a solução em deter os vilões foge dos socos e pontapés.

O longa tem um estilo agradável na sua animação. Tem profundidade, sombreamento e movimento como se seus personagens fossem feitos em stop-motion. Raios de luz, texto casual na tela e reflexos gerais são representados como rabiscos, criando uma certa “deformação” adequada para uma história sobre heróis que vivem no esgoto. Outro fator técnico aqui são as cenas de ação, em alguns momentos elas deixam a desejar e em outros é bem convincente.

O estilo da animação ajuda a criar um tom que mantém a trama misteriosa e sombria. Essa nova perspectiva oferece algo nostálgico em nós espectadores. Existe uma leveza ver as tartarugas nessa mais nova perspectiva sem forçar elementos como a palavra “Cowabunga”. “Caos Mutante” é um alívio para geração que cresceu com esses personagens, e uma boa apresentação para a geração que vai ter contato com eles pela primeira vez. Dito isso, posso afirmar que Jeff Rowe tornou as Tartarugas Ninja legais novamente.