Na atual era que o cinema vive não aparenta mais existir figuras como Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme, Arnold Schwarzenegger e entre outros como os rostos que definiam os filmes de ação. Podemos até dizer que nomes como Jason Statham, Vin Diesel e Dwayne Johnson são atores que cumprem essa função, mas estão distantes de ser o que os outros três foram. Agindo naturalmente, sem querer ocupar esse posto a força, está Tom Cruise. No futuro podemos dizer que Cruise marcou uma era nos filmes de ação, principalmente com a franquia ‘Missão Impossível’. Com “Missão: Impossível — Acerto de Contas Parte 1” a marca chega ao seu sétimo filme, tendo pela terceira vez Christopher McQuarrie na direção. Sem surpreender ninguém, esse episódio é a prova que sempre é possível manter uma marca em alto nível independente de quantos sequências ela tenha, fazendo bem feito, a qualidade vai se manter.
No novo filme, Ethan Hunt (Tom Cruise) e a equipe da IMF formada por Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), Benji Dunn (Simon Pegg) e Luther Stickell (Ving Rhames) recebem outra importante missão: eles devem rastrear uma nova arma que, se cair nas mãos erradas, pode representar uma ameaça para toda a humanidade. Com o controle do futuro e o destino de todo o mundo em jogo, a equipe precisa partir em uma corrida frenética e mortal ao redor do planeta. Além disso, Ethan ainda é surpreendentemente confrontado por um adversário pessoal do passado, Gabriel (Esai Morales). Para completar a missão, nada pode importar mais do que esse novo desafio.
Em seu novo trabalho McQuarrie não tenta inventar a roda ou ousar no quesito trama, se fosse para definir ‘Acertos de Contas’ em poucas palavras, de forma bem clichê, diria: Em time que está ganhando não se mexe. O cineasta acostumado com a franquia por dirigir os dois longas anteriores sabe exatamente quando criar momentos de tensão no expectador, ele conta com Tom Cruise para fazer isso, e parece que atualmente ninguém desperta tensão no público como Cruise e seus filmes, até mesmo quando ele está disfarçado de outro personagem (usando uma daquelas máscaras que se tornou marca de MI) ele consegue surpreender.
Sim, esse sétimo episódio de Missão Impossível em termos de montagem e ação é mais do mesmo, mas não deixa de funcionar. McQ cria cenários gigantescos e espetaculares. A trama do filme não é uma novidade para o cinema, mas ela consegue ser atual por se tratar de inteligência artificial e por incrível que pareça, a cena de abertura do longa possui um submarino. Parece que todos os assuntos do momento foram previstos por um filme do Tom Cruise.
Muitas dessas intensas sequências de ação são impressionantes, mas todas perdem em comparação com a sequência do trem no final, que é cheia de perigo e emoção. O compromisso de Cruise em fazer com que cada momento de ação pareça real e extraordinário não pode ser subestimado. As sequências de perseguição de carro encantam; cada momento de luta é eletrizante, e cada impacto brutal, colisão, chute ou soco é convincente.
Apesar do perigo se tratar de uma inteligência artificial, o antagonista, Gabriel também é um acerto em cheio. É um vilão que quando está em tela somos capazes de sentir que ele vai propor algum perigo naquele momento. Lógico, nenhum outro vilão da franquia vai conseguir superar Owen Davian, interpretado por Philip Seymour Hoffman no terceiro filme — Como Hoffman é um ator que faz falta.
Um dos pontos fortes aqui é Grace, a personagem de Hayley Atwell é um frescor para o filme e consegue até roubar um pouco a cena, a princípio, particularmente falando ela parece estar perdida por a todo momento está fugindo de Ethan e dos inimigos dele. Ela é uma ladra bastante talentosa, diferente de outras personagens femininas que já apareceram na franquia, ela precisa de ajuda para se manter viva. Atwell e Cruise possuem uma química excelente.
“Missão: Impossível — Acerto de Contas Parte 1” é o cinema blockbuster em seu mais alto nível. Você sente a sensação de já ter assistido algo parecido antes, mas hoje em dia são poucas franquias em atividade que nos deixam surpreendidos e nos faz faltar folego após sair de uma sala de cinema. Por mais que tudo gire em torno de Ethan, aqui não tem espaço para um protagonista egocêntrico e que vai ter todas às personagens femininas aos seus pés. São sete filmes e um único tema musical e em todos os sete longas-metragens a trilha que marcou a franquia é utilizada de maneira genuinamente maravilhosa.
Em última análise, como tem no título é possível prever que a parte um termina em aberto para ter a continuação (óbvio), mas essa primeira parte é tão redonda que sou capaz de afirmar que ela funciona bem avulsa. Filmes possuírem duas partes não é uma novidade, mas pelo o visto essa tendência está retornando. No caso de Missão Impossível, é bem vinda uma trama mais longa e elaborada, já que qualquer episódio da franquia é entretenimento garantido.