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“Divertida Mente 2”, dirigido por Kelsey Mann evolui como continuação ao explorar novas emoções

“Divertida Mente 2”, dirigido por Kelsey Mann evolui como continuação ao explorar novas emoções

Se formos fazer um exercício mental envolvendo todos os lançamentos da Disney/Pixar nos últimos anos, possivelmente chegaremos em um acordo que a marca ‘Divertida Mente’ foi a que mais gerou repercussão para o estúdio. O primeiro filme foi um sucesso absoluto, caiu nas graças dos espectadores e a crítica aclamou, não é à toa que foi eleita a Melhor Animação de 2015 pelo o Oscar. A continuação muito aguardada, “Divertida Mente 2”, dirigida por Kelsey Mann, finalmente está entre nós, em poucas palavras posso afirmar que esse segundo longa se aprofunda ainda mais nas questões que já foram apresentadas no seu antecessor.

Com um salto temporal, Riley se encontra mais velha, passando pela a temida adolescência. Junto com o amadurecimento, a sala de controle também está passando por uma adaptação para dar lugar a algo totalmente inesperado: novas emoções. As já conhecidas, Alegria (Miá Mello), Raiva (Leo Jaime), Medo (Otaviano Costa), Nojinho (Dani Calabresa) e Tristeza (Katiuscia Canoro) não têm certeza de como se sentir quando novos inquilinos chegam ao local.

A vida de Riley melhorou significativamente. Ela agora tem duas melhores amigas que também fazem parte de sua equipe de hóquei, Bree (Sumayyah Nuriddin-Green) e Grace (Grace Lu). É verão, e o trio de amigas está animado com um acampamento de fim de semana, onde elas poderão jogar hóquei com atletas mais velhas e mostrar suas habilidades na frente da treinadora Roberts (Yvette Nicole Brown), cujas decisões de escalação podem afetar suas carreiras no esporte.

Antes da viagem para o acampamento, o corpo de Riley dá um novo sinal de alerta, finalmente a protagonista está entrando na puberdade, novas emoções chegam para definir a personalidade da garota, Ansiedade (Tatá Werneck), a Inveja, Tédio e a Vergonha. Algumas são mais gritantes do que as outras e tentam assumir o controle da situação. O roteiro assinado pela dupla Meg LeFauve e Dave Holstein explora a ansiedade de maneira divina e mostra quão essa nova emoção vai atazanar a vida de Riley e as outras emoções.

Posso afirmar que existe um acerto em abordar a ansiedade, já que nos últimos anos o tema saúde mental esteve em pauta em diferentes áreas da vida humana. Em “Divertida Mente 2”, Ansiedade tenta dominar tudo e acaba afetando até mesmo a Alegria. Sim, tem momentos que a Alegria não sabe o que fazer, se desespera e chega até chorar, que é uma função da Tristeza. Sobre as outras emoções, Vergonha e Inveja são bem autoexplicativas, já o Tédio é a mais legal entre elas, ela apresenta a magia do sarcasmo para Riley. A Nostalgia também é apresentado como nova emoção, mas essa é melhor o filme falar a respeito, já que a piada em torno gera alguns risos.

Em termos de narrativa, essa continuação possui uma estrutura similar como o primeiro filme. Alguns personagens são “lançados” para longe da sala de controle e com isso eles vivem uma jornada para reorganizar as emoções que estão a flor da pele. Chega ser desmotivante ver a mesma estrutura, porém isso não é um fator tão negativo. O filme tem seus momentos cômicos, mas estaria sendo negligente se não reconhecesse que esse daqui é menos engraçado que o primeiro.

“Divertida Mente 2” marca a estreia de Kelsey Mann como diretor em longa-metragem, gosto como sua direção capta sutilmente a perda da inocência infantil na medida que Riley transita para a adolescência. Agora como jovem adulta ela precisa vivenciar essas emoções mais difíceis e complexas para ajudar a transformá-la em quem ela será nos próximos anos. Será que eu preciso dizer que isso é um evento canônico na vida de todas as pessoas?

As experiências de vida não se limitam apenas à felicidade, tristeza, raiva e medo. O primeiro filme tocou nisso, mas este segundo capítulo traz uma perspectiva ainda mais sofisticada dessa jornada inevitável. Isso se remete muito na questão da ansiedade. Sim, essa continuação é um prato cheio para psicólogos e qualquer outro profissional que trabalhe/estude de maneira responsável a mente humana. Usando um termo da moda, não podemos ‘romantizar’ o personagem e nem a emoção ansiedade. A partir desse filme, a discursão tem que ser com responsabilidade.

“Divertida Mente 2” se encaixa na constatação que animação não é algo exclusivo para crianças (isso é óbvio), e esse filme mostra isso no momento em que adultos que vão assistir irão se familiarizar diretamente com algumas emoções. Claro que as crianças vão gostar e até mesmo se identificar com algumas ocasiões que a Riley vive. Há uma cena bem no final, quando a Ansiedade perde o controle, ela simplesmente não consegue parar o que está tentando fazer, isso acaba resultando em um exemplo bem ilustrativo do que é uma crise, isso chega ser chocante e comovente. Vale lembrar que toda emoção apresentada não é vilã.

Em última análise, estúdio e cineasta deve se orgulhar do resultado final, assim como o primeiro filme, vejo essa sequência levantando muitas discussões e reflexões. Além de algumas lágrimas por conta da sensibilidade do seu tema, “Divertida Mente 2” também vai gerar boas risadas.