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“Duna: Parte 2", de Denis Villeneuve é um marco para o gênero de ficção científica

“Duna: Parte 2", de Denis Villeneuve é um marco para o gênero de ficção científica

Dividir algum conteúdo em partes não é mais nenhuma novidade para ninguém, ainda mais quando se trata de cinema. Essa artimanha dentro da indústria pode ser interpretada de diferentes maneiras, uma delas é a questão mercadológica, podendo render ainda mais lucro; e a questão artística, que foca em desenvolver de maneira mais estruturada a história que está sendo contada e o universo que está sendo construído, que na minha percepção é o caso de “Duna: Parte 2”, dirigido por Denis Villeneuve — lógico que eu sei que o lucro também está sendo visado aqui. A continuação do épico de Villeneuve merece ser intitulado com inúmeros adjetivos, mas escolho esses: Imenso, imponente, belo e que beira o exagero no excesso de grandiosidade.

Em “Duna: Parte 2”, Paul Atreides (Timothée Chalamet) se une a Chani (Zendaya) e aos Fremen enquanto busca vingança contra os conspiradores que destruíram sua família. Uma jornada espiritual, mística e marcial se inicia. Para se tornar Muad’Dib, enquanto tenta prevenir o futuro horrível, mas inevitável que ele testemunhou, Paul Atreides vê uma Guerra Santa em seu nome, espalhando-se por todo o universo conhecido. Enfrentando uma escolha entre o amor de sua vida e o destino do universo, Paul deve evitar um futuro terrível que só ele pode prever. Se tudo sair como planejado, ele poderá guiar a humanidade para um futuro promissor.

O primeiro filme de Villeneuve oferece uma citação enigmática, ‘sonhos são mensagens das profundezas”, uma alusão às alucinações proféticas e às vezes apavorantes que o jovem Paul Atreides começa a experimentar quando é submetido as adversidades do planeta deserto de Arrakis. Já a ‘Parte Dois’ começa com o seguinte dilema, ‘o poder sobre todos’, um dilema espantoso sobre a subjugação e onde caminhos equivocados para a vingança e o excesso de poder podem levar.

Na ‘Parte Dois’, após ter testemunhado o terror de perto, tendo que enfrentar alguns de seus medos iniciais e se integrando à maneira de guerrear dos Fremen, Atreides agora busca vingar seu pai e seu nome de família. A jornada de Paul no capítulo dois é aturar o fardo de suas previsões, da atitude de começar a reinar e as consequências de brincar de Deus.

Dito tudo isso, posso afirmar que essa sequência é mais sombria, melhor desenvolvida e um ótimo épico de guerra que vai além. Ele também é uma aventura sobre idolatria e o risco de louvar falsos deuses. Pode ter certeza que o longa-metragem é uma franquia com um grau de maturidade bem elevado. Pouco se tem um alívio cômico para baixar o nível de tensão na tela. Até existe um pequeno resquício disso no personagem vivido por Javir Bardem, Stilgar.

Em 2024 Duna: Parte 2 puxa a fila para filmes que tem um elenco estrelado. Aqui temos de tudo, atores consagrados como Christopher Walken vivendo o Imperador Shaddam Corrino IV a nomes que são a sensação do momento, Austin Butler, Florence Pugh e lógico Zendaya e Timothée Chalamet. Butler vive o vilão Feyd-Rautha Harkonnen, um vilão que tem seu nível de maldade e oferece algum tipo de ameaça apesar do pouco tempo de tela, porém, quem brilha mesmo no filme é o Chalamet entendendo e transmitindo bem todas as núncias que Paul possui. É possível notar uma evolução do personagem do primeiro para o segundo filme e principalmente quando os minutos dessa produção vão em direção ao final.

No decorrer das 2h45 minutos de longa, é capaz de você sentir o tempo de execução e até um pouco de exaustão, e o drama teatral começa a diminuir um pouco na segunda metade, isso pode causar uma falta de empatia pelos heróis, como aconteceu comigo. Isso eu ponho a culpa naquela questão da ausência de humor, entretanto o que falta de humor no filme de Villeneuve, ele compensa com cenas bem coreografadas, intensidade visceral e um visual arrebatador.

Filmado novamente pelo diretor de fotografia Greig Fraser com uma beleza tátil impregnada de claro-escuro e musicalizado mais uma vez por Hans Zimmer, ‘Duna’ é mais fácil de elogiar pela magnificência cinematográfica. O longa é um primor técnico, impossível colocar algum defeito. Tento me recordar de algum filme que usou a cor amarela de um jeito tão bonito como aqui é usado.

Agora – particularmente falando –; após tantos adjetivos positivos, “Duna: Parte 2” não responde minhas expectativas, não pelo o que o filme é, mas sim pelo o caminho que Denis Villeneuve levou sua carreira, caminho que ele provou se tornar merecedor. O cineasta merece sim uma produção com orçamento maior, e esse atual trabalho é uma prova disso, portanto, Villeneuve me agradava bem mais quando ele fazia filmes mais intimistas do que Duna parte 1 e 2 são.

Em última análise, “Duna: Parte 2” é uma fatia grandiosa para o gênero chamado ficção-científica. O fan mais fervoroso de Sci-fi vai se sentir bem representado ao ver que que uma obra literária está ganhando uma forma agradável em outra mídia.