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“Five Nights at Freddy’s”, de Emma Tammi erra em não querer sair da sua bolha para conquistar um novo público

“Five Nights at Freddy’s”, de Emma Tammi erra em não querer sair da sua bolha para conquistar um novo público

Já não é de hoje que os jogos eletrônicos são alvos recorrentes do cinema para ganhar adaptações, a maioria das vezes essas adaptações acabam sendo decepcionantes. “Five Nights at Freddy’s”, de Emma Tammi, no qual o título original não ganhou uma tradução PT-BR, segue a linha de adaptações medíocres que videogames ganharam.

Recentemente demitido e desesperado por trabalho, um jovem problemático chamado Mike (Josh Hutcherson) concorda em assumir um cargo de segurança noturno em um restaurante temático abandonado: Freddy Fazbear’s Pizzeria. Mike tem um drama familiar sobre suas costas e tem que cuidar de sua irmã Abby (Piper Rubio), ele se sente pressionado já que pode perder a guarda da menina para uma tia, com isso ele está disposto a topar qualquer trabalho e acaba notando que nada no Freddy’s é o que parece.

Adaptar algum conteúdo de uma mídia para outra requer alguns interesses, o primeiro de todos é o mercadológico, engravatados sempre vão ter a visão financeira em primeiro lugar, eles pensam: “se já lucramos em uma mídia, vamos levar o produto para outra e lucrar nela também”. Isso é um pensamento bem óbvio. O segundo deles é apresentar tal produto para novos consumidores. Dito isso, ao adaptar um livro, um jogo ou qualquer coisa que seja, é necessário apresentar bem o conteúdo para o seu novo público alvo e deixar claro que ele não precisa consumir nada anteriormente para assistir um filme, já que estamos falando de cinema.

Infelizmente Emma Tammi não se preocupou com isso e aparentemente fez um filme para fãs que estão bem familiarizados com o universo de “Five Nights at Freddy’s” criado nos videogames. O longa de Emma nos apresenta um Mike cheio de traumas que deixa o filme com uma carga dramática pesada em seus primeiros minutos, chega ser surpreendente. Apesar do protagonista carregar um drama, drama no qual me recuso falar a respeito para não estragar a experiência alheia, aos poucos a produção vai mudando de tom.

Estamos diante de um filme de terror protagonizado por criaturas robóticas com aparência de bichinhos, por trás delas ou dentro delas, existe um mistério que faz elas agirem de maneira “horripilante”. Temos Freddy, Boonie, Chica e Foxy e quando eles entram em ação elas não perdoam, graficamente a execução das vítimas não chocam em nada, quase não temos sangue aqui ou muito menos desmembramentos.

O roteiro da produção é uma bagunça, por alguns momentos Mike tem sonhos que se refere ao seu drama, ele tem o mesmo sonho todas as noites e toda vez alguns fragmentos dos sonhos se alteram e através disso ele tenta solucionar um mistério que o assombra. Para ser mais direto, o roteiro querendo ser pretensioso cria uma ponte entre os sonhos de Mike e os acontecimentos da Freddy Fazbear’s Pizzeria.

“Five Nights at Freddy’s” possivelmente consiga agradar alguns fãs a partir do momento que ele começa afunilar e chegar no seu ápice. É uma chuva de referências que apenas os fãs conseguem compreender o que está acontecendo e sendo dito, quem não é da bolha, esqueça. Diretora e roteiro não estão preocupados em apresentar o universo.

“Five Nights at Freddy’s” beira o egoísmo de querer ser uma adaptação que não deseja sair da sua bolha para conquistar um novo público. Posso dizer que Emma Tammi desempenhou esse papel divinamente bem, sendo que é uma atitude nada admirável.