É impossível pensar no gênero de aventura no cinema e não lembrar da franquia ‘Indiana Jones’. Como de costume, Steven Spielberg, o cineasta que domina esse gênero como nenhum outro, deu início às aventuras de Indy em meados dos anos 80 e depois disso o resto é história. Durante 15 anos comendo poeira em uma gaveta, a franquia retorna com o seu quinto episódio, “Indiana Jones e o Chamado do Destino”, dessa vez sem Spielberg, mas agora contando com James Mangold na direção, entretanto, com os seus 80 anos, o principal rosto da marca, Harrison Ford está de volta.
Em “Indiana Jones e o Chamado do Destino” começa em um cenário que a franquia já visitou: a Alemanha nazista, aqui ela está perto do fim da Segunda Guerra Mundial e encontramos um Indiana Jones (Harrison Ford), vestindo um terno de oficial alemão, é capturado com um saco na cabeça para interrogatório. Ele está procurando a Lança de Longinus, uma relíquia religiosa que supostamente perfurou Jesus na cruz. No entanto, o verdadeiro tesouro (chamado de Anticítera) a ser descoberto naquele dia é metade de um artefato de Arquimedes que possibilita viajar no tempo, ele está escondido em um trem e o cientista nazista Jürgen Voller (Mads Mikkelsen) está a em sua busca.
Em diante você já pode esperar uma cena de ação bem a cara da franquia que se assemelha a abertura do filme de 89. Aqui Indy está jovem graças a um trabalho primordial de computação gráfica que devolve o rosto jovial de Ford. O único detalhe que deixa desejar é a voz grave e mais velha que não condiz com a idade do personagem na época, mas acho que isso não venha ser um grande incomodo.
A cada frame, fica nítido que o cineasta James Mangold tem vontade de retransmitir toda a glória que a franquia teve antigamente, mas ele esbarra em alguns obstáculos. Um deles provavelmente seja o principal obstáculo que impede Mangold transmitir a essência do passado que é a idade e a capacidade física de Harrison Ford. Temos que agradecer que aqui não somos bombardeados com piadas de velho ou que outro personagem lembre a Indy que ele está velho. Sim, o tempo passa para todos, principalmente para arqueólogo mais famoso da ficção.
Após a cena de abertura, corta para o velho professor Jones batendo na porta do vizinho para reclamar do som ligado em pleno feriado. As icônicas cenas de sala de aula onde todas as alunas admiravam o belo professor que tinham é substituída por uma aula onde todos estão desinteressados no que Indy tem para ensinar. O protagonista continua usando os icônicos adereços, o chapéu e o chicote. Ele corre, desvia de balas, esmurra inimigos, tenta e até consegue fazer tudo que a juventude o permitia fazer, mas aqui notamos um timing diferente. Tudo isso oferece um aspecto diferente da ação desse filme comparando com os antecessores.
Mesmo dando aula, Jones está aposentado das suas aventuras, porém, sua afilhada Helen Shaw (Phoebe Waller-Bridge) vem até ele pedindo uma última aventura. Seu pai (Tobie Jones) era obcecado pela Anticítera. Ela acha que sabe onde encontrar a outra metade do artefato. No decorrer dessa jornada somos apresentados por Sallah (John Rhys-Davies) e o mergulhador Renaldo (Antônio Banderas) companheiros mais velhos que só querem sentir mais uma dose de adrenalina e o jovem Teddy Kumar (Ethann Isidore), fiel companheiro de Helen. Nenhum desses personagens novos é particularmente tentador. Na pior das hipóteses, são peças secundárias. Apenas Teddy possui funções mais empolgantes.
Harrison Ford é a estrela que brilha em “Chamado do Destino”, por mais que a direção crie artifícios para ele reviver o passado, aqui ele oferece uma nova roupagem para o personagem, acrescentando corretamente um desgaste emocional que Jones deveria sentir neste momento de sua vida. Waller-Bridge tenta ser um espelho, vamos supor que até mesmo uma versão feminina de Jones, mas não consegue fazer o que Ford faz, mas mesmo assim consegue propor um novo ar para um possível futuro que aqui não temos a certeza que vai acontecer. Algo que nos permite imaginar isso no decorrer do filme, mas o seu final corta essa esperança.
Mangold e o seu roteiro faz a previsível virada para o fantástico, de uma maneira tão absurda, sendo que mais plausível do que no filme de 2008. A conclusão desse capítulo estava se tornando algo comovente para o destino final do protagonista. Posso dizer que é um final triste para quem é fã, mas também bastante seguro para uma franquia que já viu seu protagonista em apuros. Em uma última análise, foi bom acompanhar essa nova aventura do Indiana Jones, mas ela também serviu para nos mostrar que algumas relíquias devem ficar bem aguardados ou apenas ser admiradas em museus.