Desde sua estreia em 2013, sob a direção de James Wan, “Invocação do Mal” consolidou-se como uma das franquias de terror mais marcantes da última década. O primeiro filme não apenas atraiu uma legião de fãs para o universo dos Warren, como também abriu caminho para a expansão de um verdadeiro “universo compartilhado” do terror, que se ramificou em derivados como “A Freira” e “Annabelle”. O sucesso desse início deu fôlego para que a saga chegasse ao quarto capítulo, intitulado “Invocação do Mal 4: O Último Ritual”, vendido como o encerramento da trajetória principal. No entanto, sob a direção de Michael Chaves, o longa acaba se revelando mais uma repetição dos mesmos elementos já explorados anteriormente, resultando em uma experiência pouco impactante.
No que se apresenta como a conclusão da franquia, Ed Warren (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) são novamente arrastados para um confronto que desafia tanto sua experiência como investigadores do oculto quanto sua própria resistência emocional. Desta vez, os fenômenos que cercam o casal surgem carregados de enigmas e ameaças cada vez mais pessoais, levando-os a enfrentar dilemas que ultrapassam o campo da fé e da razão. O resultado é uma batalha que promete marcar o fim da trajetória dos Warren diante das forças sombrias que os perseguiram ao longo dos anos.
Essa breve descrição já evidencia como o quarto capítulo da franquia se acomoda na repetição de fórmulas vistas nos três anteriores. Do primeiro ao terceiro filme, Ed e Lorraine sempre enfrentaram forças demoníacas, sendo constantemente forçados a ultrapassar seus próprios limites, e nunca houve a sensação de que a tarefa de exorcizar o mal fosse simples. Em “O Último Ritual”, até se percebe uma tentativa de explorar mais a relação do casal, mas esse aspecto já é uma marca recorrente da série. A principal novidade é a inclusão de Judy (Mia Tomlinson), filha dos Warren, em um arco narrativo que recebe maior atenção. Tanto o roteiro quanto a direção se empenham em construir relevância para a personagem, ainda que o esforço nem sempre resulte em algo verdadeiramente marcante.
O que ainda dá fôlego a “Invocação do Mal 4” é, sem dúvida, a presença de Patrick Wilson e Vera Farmiga. O casal Warren ganha aqui um peso diferente: já não são apenas os investigadores destemidos do início da franquia, mas personagens marcados pelo cansaço e pelo acúmulo de traumas. Essa vulnerabilidade torna seus momentos juntos mais interessantes do que qualquer aparição demoníaca. O filme encontra sua força justamente quando se apoia na relação dos dois, deixando claro que os diálogos íntimos e a cumplicidade silenciosa entre Ed e Lorraine continuam sendo o verdadeiro coração da saga.
No campo do terror, “O Último Ritual” não se destaca. Michael Chaves mantém os sustos bem construídos e a atmosfera sombria que já se tornaram padrão da franquia, mas a repetição pesa e a fórmula demonstra claros sinais de desgaste. As cenas assustadoras funcionam, mas carecem da inventividade e da tensão que James Wan soube imprimir nos primeiros capítulos. O resultado é um filme que se sustenta mais pelo drama em torno dos Warren e pela ideia de despedida do que pela renovação do gênero. No fim das contas, é a carga emocional, e não o horror, que marca a experiência.
Em última análise, fica evidente a falta de clareza sobre como encerrar a franquia. “Invocação do Mal 4: O Último Ritual” se apresenta como um desfecho drástico, evidenciando que, com o passar dos anos, a forma de construir o terror foi perdendo força. No momento derradeiro da jornada, resta apenas a aposta no lado emocional, explorando ao máximo a entrega dos protagonistas. O que sobra é a expectativa de que a saga seja, enfim, deixada descansar em paz e, quem sabe, que seus derivados tenham o mesmo destino.