A franquia Jogos Mortais se iniciou em 2004 com a direção de James Wan. Na época, o filme impactou muitas pessoas com uma proposta de apresentar personagens que precisam se auto mutilar para sobreviver a um jogo. A fórmula gerou inúmeras sequências, mas por unanimidade a única bem sucedida foi o segundo filme de 2005 dirigido por Darren Lynn Bousman. Entretanto, às outras continuações serviram para definir ainda o universo da franquia e estabelecer cada vez mais seus personagens. Depois de seis anos, Kevin Greutert volta a franquia para dirigir “Jogos Mortais X”, a continuação pode ser considerada como algo útil e que acrescenta qualidade e entregando tudo aquilo que a franquia sempre teve de melhor, gore.
Ambientado entre os eventos do primeiro e segundo longa, John Kramer (Tobin Bell) — doente e desesperado — viaja para o México em busca de um procedimento experimental e uma cura milagrosa para seu câncer — apenas para descobrir que toda a operação é na verdade um golpe para fraudar os mais vulneráveis. Armado com um novo propósito, o infame serial killer retorna ao seu trabalho e vira o jogo com seu jeito visceral característico e usa de armadilhas tortuosas, dementes e engenhosas.
Se não me engano, pela primeira vez um filme da franquia abre com uma cena que não seja alguém sendo torturado por umas das maquinas criadas por Jigsaw. Aqui, a direção de Greutert e o roteiro escrito pela dupla Josh Stolberg e Pete Goldfinger focam os primeiros minutos da produção exclusivamente em John Kramer. Isso permite que Tobin Bell desempenhe uma boa atuação desse seu personagem histórico para sua carreira.
Possivelmente esses primeiros minutos de “Jogos Mortais X” seja os minutos que mais se afastam do estilo que estamos acostumados de ver em Jogos Mortais. Na medida do possível, presenciamos Kramer um pouco mais humanizado, buscando alguma maneira de sobreviver e continuar sua vida e disposto em largar seu hobby. O tema original da franquia muda de tom e instrumento, a fotografia de Nick Matthews é amarelada que faz o personagem acreditar em um otimismo de ter uma vida melhor.
Assim como os inúmeros filmes da franquia, “X” também tem suas reviravoltas, prometo não as revelar aqui, mas como já sabemos, Jogos Mortais não é algo fofinho e cordial, “X” quando decide propor o gore, ele entrega no mais alto nível capaz de nos deixar contorcendo na cadeira. O exemplo disso é uma das vítimas serrando sua própria perna com uma espécie de linha. Uma cena agoniante no qual a edição de som brilha ao destacar bem o ato de cortar uma carne do corpo humano.
Uma sequência digna da saga, tem a essência dos primeiros e as reviravoltas muito boas, as armadilhas como sempre sangrentas com a assinatura do Jhon. Dá uma dinâmica totalmente nova com uma aparência incomparável aos filmes anteriores. Lógico que nem tudo é perfeito, seguindo nessa linha de reviravoltas, o roteiro consegue viajar além da conta em suas revelações. Bom…é Jogos Mortais, mas precisa ter os exageros para tocar o tema original de maneira épica.
Ao todo temos dez filmes da franquia. É difícil chegar perto do original e de sua sequência. No entanto, no caso de “Jogos Mortais X” é definitivamente o top 3, a concorrência não é esse primor, e por isso que Kevin Greutert teve uma tarefa “fácil” para alcançar esse feito. Podemos considerar que aqui é um retorno em alto nível dentro