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“Jogos Vorazes — A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes”, de Francis Lawrence é uma adição memorável para franquia

“Jogos Vorazes — A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes”, de Francis Lawrence é uma adição memorável para franquia

É um fato que as franquias que marcaram a vida de muita gente estão ressurgindo, algumas das mais famosas e queridas já ganharam seus derivados, ‘Harry Potter’ com ‘Animais Fantásticos’ e ‘O Senhor dos Anéis’ com ‘O Hobbit’. Além de ser um movimento mercadológico, os livros derivados tem uma grande influência nessa tendência que está cada vez mais comum. Bem…chegou o momento de ‘Jogos Vorazes’, encerrado o arco principal em 2015, Francis Lawrence retorna a série para dirigir o spin-off da saga, “Jogos Vorazes — A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes”, que provavelmente consiga agradar o fã da franquia.

“Jogos Vorazes — A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes” segue um jovem Coriolanus (Tom Blyth) que é a última esperança para sua linhagem decadente, a outrora orgulhosa família Snow que caiu em desgraça em uma Capital do pós-guerra. Com seu sustento ameaçado, Snow é relutantemente designado como mentor de Lucy Gray Baird (Rachel Zegler), um tributo do empobrecido Distrito 12. Mas depois que o charme de Lucy Gray cativa o público de Panem, Snow vê uma oportunidade de mudar seus destinos. Com tudo pelo que trabalhou em jogo, Snow se une a Lucy Gray para virar as probabilidades a seu favor. Lutando contra seus instintos tanto para o bem quanto para o mal, Snow parte em uma corrida contra o tempo para sobreviver e revelar se acabará se tornando um pássaro canoro ou uma cobra.

O que você acha de prequels? São aulas de história chatas que nada mais fazem do que preencher lacunas e desvendar o mistério divertido de uma franquia? Ou você gosta de ver as origens de seus personagens favoritos na tentativa de descobrir como eles chegaram ao ponto em que você os conhece melhor? posso afirmar que “Jogos Vorazes — A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes” é exatamente uma resposta para a segunda pergunta que faço aqui. Lawrence decide contar em sem filme a origem de um personagem importante, posso afirmar que isso é um acerto grande graças ao roteiro escrito pela dupla Michael Arndt e Michael Lesslie, mas que também passa muito pela atuação de Tom Blyth.

Apesar de mostrar os primórdios dos jogos, não vejo que a produção está preocupada em se aprofundar nos primórdios do jogo. Lógico, tudo está lá, a tecnologia retrógada, um mundo menos moderno do que conhecemos em ‘Jogos Vorazes’ e entre outros elementos que o fã espera ver. Porém, o filme está mais preocupado em definir a personalidade de Coriolanus do que mostrar um universo que parte dos fãs já conhecem, e acho que Lawrence fez a escolha certa. Coriolanus é ambicioso, destemido e disposto em fazer qualquer coisa para conquistar seu objetivos, entretanto nem tudo depende dele. Como ele não passa de um mentor, ele tem que guiar Lucy Gray de maneira genuína.

Lawrence poderia cair na mesmice como David Yates caiu ao dirigir ‘Animais Fantásticos’. Lawrence segue no projeto de dar continuidade ao universo de Jogos Vorazes e faz isso divinamente bem, para ser mais direto, ‘A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes’ é um aprimoramento da saga, a direção do cineasta tem cenas de ação bem filmadas mostrando que tem uma evolução cinematográfica ali e bem mais agradável do que seus antecessores.

Além de Coriolanus, existem personagens interessantes, mas nenhum é tão bem desenvolvido como o protagonista. Em algum momento parece que Lucy Gray é a estrela da companhia, mas quanto mais a produção progredi, mais notamos que Cori tem todos os holofotes em sua direção. A personagem vivida por Viola Davis, Volumnia Gal junto com Casca Highbottom (Peter Dinklage) tem suas importâncias na trama, nela ronda um tom de vilania, mas o que mais impressiona é que esse prequel não existe bem um vilão concretizado, mas sim um em formação, provavelmente esse é ponto forte do longa.

Em algum momento notamos que não somos meros espectadores assistindo a um filme onde crianças e adolescentes lutam até a morte em um programa de televisão, nós estamos imersos nesse universo fazendo parte do circo. A questão da nossa relação com o entretenimento também é um ponto debatido. Quais são os nossos limites para nos divertirmos? Como podemos aceitar ser espectadores de um assassinato e extrair dele o prazer de ser entretidos? isso dentro da realidade do filme, mas se pararmos para pensar, acompanhamos reality shows com o mesmo propósito, mas sem a proposta da violência física. O objetivo de Jogos Vorazes é o paralelo com a nossa sociedade, que está constantemente em busca de “mais”. O capitalismo alimenta o nosso desejo pelo melhor entretenimento, independentemente de ser correto ou não.

“A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes” não é uma história de amor entre Coriolanus Snow e Lucy Gray Baird, ele é bem mais ambicioso do que isso, ele serve como crítica à nossa sociedade e além disso uma discussão sobre como o fanatismo corrompe caráter. O fã da franquia pode ficar tranquilo, que aqui temos uma expansão bem assertiva graças a Francis Lawrence e companhia.