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“Lobisomem”, de Leigh Whannell é um terror bem intencionado, mas frustrante

“Lobisomem”, de Leigh Whannell é um terror bem intencionado, mas frustrante

Embora Leigh Whannell tenha se destacado como uma força criativa no cinema de terror contemporâneo, especialmente com sua releitura provocativa e emocionalmente carregada de O Homem Invisível, o diretor australiano demonstra novamente sua habilidade de reinventar clássicos em Lobisomem. Assim como transformou a história do Homem Invisível em uma alegoria sombria sobre trauma e abuso, Whannell agora revisita outra criatura icônica dos monstros da Universal, oferecendo uma abordagem moderna. Em Lobisomem, ele não apenas explora os terrores sobrenaturais, mas também se debruça sobre dilemas humanos, lançando luz sobre as dinâmicas familiares e as feridas que nos transformam naquilo que tememos ser.

Apesar das boas intenções, a tentativa de construir um drama que explore como o desejo de proteger nossos filhos pode acabar causando mais mal do que bem tropeça em sua execução. O roteiro carece de profundidade, faltam camadas emocionais e a sensação final é de uma obra inacabada, incapaz de atingir o impacto que claramente almejava.

Neste conto de horror, Blake (Christopher Abbott) luta para proteger a si mesmo, sua esposa Charlotte (Julia Garner) e sua filha Ginger (Matilda Firth), quando se tornam alvos de um lobisomem. Sob a luz da lua cheia, o trio é perseguido implacavelmente por uma criatura que encarna seus piores pesadelos. No entanto, à medida que a noite avança, Blake começa a exibir comportamentos estranhos, transformando-se em algo irreconhecível.

Whannell opta por uma abordagem minimalista, evitando muitos dos elementos estabelecidos nas histórias clássicas de lobisomem. O filme, no entanto, acaba parecendo mais uma esquete prolongada de 103 minutos, com acontecimentos apressados e pouco tempo para desenvolvimento. Inicialmente, vemos Blake em sua infância, caçando com o pai, uma figura paterna intimidadora e brutal. Rapidamente, a narrativa salta para sua vida adulta, onde ele tenta ser um pai diferente para sua filha.

Desde o início, o filme apresenta um dilema que o acompanha até o desfecho: pais que, ao tentar proteger seus filhos das dores do mundo, tornam-se, eles mesmos, a fonte dessas dores. Há um vislumbre de profundidade aqui, com Blake lutando para escapar das sombras do pai, mas repetindo, inconscientemente, muitos dos mesmos comportamentos. Essa abordagem confere ao filme uma carga emocional sobre as consequências da paternidade autoritária.

Embora seja um conceito interessante para um filme de terror centrado em uma criatura tão familiar, a execução derrapa em outros aspectos. Apesar do espírito protetor de Blake, o longa falha em criar laços significativos entre os personagens e o público. Isso resulta em uma desconexão emocional: o espectador dificilmente se importa com o destino dos personagens, reduzindo o impacto de qualquer tragédia que os atinja.

Lobisomem não alcança a profundidade emocional que poderia. Imagine testemunhar seu pai ou marido definhar, passar por uma transformação terrível e sentir o medo e a impotência diante do que ele se tornou. Ou ser o próprio pai, perdendo lentamente sua sanidade e identidade, consciente de que está se tornando uma ameaça para aqueles que mais ama. Esses elementos, que poderiam ser dolorosos e impactantes, são tratados de maneira superficial, deixando a sensação de um potencial desperdiçado.

O filme começa com bastante promessas, mas rapidamente se torna monótono, repetindo incessantemente os mesmos conflitos e emoções. O que poderia ser uma experiência visceral e marcante acaba sendo tedioso, um desperdício considerando o talento de Whannell e o início promissor da trama.