A última vez que vimos Maxine Minx (Mia Goth), foi em “X” (2022), ela tinha acabado de sobreviver a um massacre nas filmagens de um filme adulto no Texas. Depois fomos agraciados com o prelúdio “Pearl” que conta a origem da sua inimiga, agora de fato Maxine volta no terceiro e último capítulo da trilogia dirigida por Ti West, “MaXXXine”. Um filme rodeado de suspense, sangue e muitas homenagens a Los Angeles dos anos 80.
Corta para Los Angeles de 1985 e Maxine está indo muito bem como estrela de filmes adultos dançarina. Seus amigos, Tabby (Halsey) e o especialista em filmes VHS Leon (Moses Sumney) admitem que ela nunca tira uma noite de folga, mas Maxine é motivada. Ela será a primeira atriz pornô a realmente se tornar uma atriz de cinema respeitada, quer Hollywood a queira ou não. Seu agente, Teddy Knight (Giancarlo Esposito), conseguiu um teste para ela para uma sequência de terror, “The Puritan II”. Mas quando finalmente ela pensou que poderia brilhar em paz, pessoas próximas de Maxine estão começando a morrer.
Ambientado no mesmo período do Night Stalker, um serial killer que assassinou pelo menos 14 moradores de Los Angeles. A detetive Williams (Michelle Monaghan) do LAPD acha que algo mais está em jogo. Principalmente depois que duas das fatalidades têm ligação com Maxine.
Infelizmente, esse terceiro episódio da trilogia dirigida por Ti West possui um tom diferente dos dois anteriores. Enquanto “X” e “Pearl” abraçam o horror, “MaXXXine” tem uma pegada mais misteriosa, de investigação e que demora para revelar os antagonistas da trama. Lógico que estamos diante de um filme de terror, algo mais contidos e com sequências pouco horripilantes, mas ainda é notável uma veia do gênero.
Toda a trama de investigação é bem construída, Maxine está no centro de tudo, ela está sendo perseguida John Labat, vivido por uma atuação incrível de Kevin Bacon, mas calma, ele não é o vilão principal, mas acaba sendo um dos personagens mais marcantes durante os 104 minutos de produção.
“Maxxxine” parece um pouco mais vazio do que os outros. Mia Goth é excelente ao reprisar o papel que caiu nas graças de muita gente. Sua performance de cair o queixo em “Pearl” ajudou a elevar ainda mais a protagonista. Tudo aqui poderia ser mais além e essa personagem poderia ser ainda mais icônica, ela não é uma mulher indefesa como um homem desavisado que anda na rua buscado alguma vítima a noite descobre. Algumas cenas são sim marcantes, inclusive o desfecho da cena desse homem desavisado deixa qualquer outro homem aflito.
Nesse terceiro episódio, o designer de produção Jason Kisvarday e o diretor de fotografia Eliot Rockett se juntam ao Ti West e fazem um trabalho impecável recriando a época, o figurino de Mari-An Ceo, o cabelo e a maquiagem do filme também são maravilhosamente autênticos, sem mergulhar em clichês há muito desgastados.
De modo geral, “MaXXXine” é a conclusão de uma ideia brilhante. Uma trilogia que não precisou mais de 5 anos para ser finaliza e com isso conseguiu ganhar alguns admiradores. Uma pena esse longa-metragem não está no mesmo nível dos outros, no entanto, presenciar isso, mostra como estúdios podem trabalhar de maneira mais eficaz e entregar sagas cinematográficas de maneira mais rápida para os consumidores.