A criação de novas marcas, como Moana, é uma estratégia essencial para o sucesso de grandes estúdios de entretenimento, especialmente no mercado cinematográfico e de produtos licenciados. Com um enredo original, personagens encantadores e uma conexão profunda com a cultura polinésia, Moana estabeleceu uma identidade forte, conquistando um vasto público infantil e gerando um impacto cultural duradouro. Em 2024, somos apresentados à estreia de “Moana 2”, que chega carregado de grandes expectativas, especialmente entre o público fiel, ansioso por mais aventuras da heroína que conquistou corações em 2016.
O longa dá continuidade à história, acompanhando o reencontro de Moana (Auli’i Cravalho) com Maui (Dwayne Johnson) para uma nova jornada pelos mares. Três anos após a última aventura marítima, um chamado de seus ancestrais leva Moana de volta às águas perigosas e distantes da Oceania, agora com uma tripulação improvável. Com a ajuda de Maui, ela precisa quebrar uma maldição imposta por um deus cruel e sedento por poder, que ameaça uma das ilhas de seu povo. Na missão, Moana e sua equipe desbravam novos territórios e enfrentam inimigos antigos e novos, como monstros marítimos, feitiços e deuses maléficos. Tudo isso em nome da reconexão de sua nação e da paz nos oceanos.
“Moana 2” é dirigido por três cineastas estreantes: David G. Derrick Jr., Jason Hand e Dana Ledoux Miller, que têm a missão de dar continuidade ao trabalho realizado pela experiente dupla Ron Clements e John Musker, responsáveis pelo primeiro filme. Inicialmente, o trio consegue transmitir boa parte do que torna esse universo tão encantador: o cuidado de Moana com seu povo, a importância da família e, claro, as canções envolventes.
Nos primeiros minutos, a impressão que fica é que estamos diante de uma continuação que complementa o universo criado. O roteiro, por exemplo, apresenta novos personagens. Além dos já conhecidos Maui, Pua (o porco) e HeiHei (o galo), Moana agora conta com novos membros em sua tripulação: a engenheira Loto, o fazendeiro Kele e o entusiasmado Moni.
Há uma expansão do universo, que inclui não só novos aliados, mas também um vilão inédito — sobre o qual prefiro deixar que o filme fale por si, para não estragar a surpresa. Contudo, a presença dessa vilania não acrescenta muito, já que, em filmes da Disney, o bem costuma prevalecer, ainda que uma cena pós-créditos sugira que o vilão retornará.
Um ponto que decepciona é a música. Nenhuma das canções se aproxima do impacto da memorável “How Far I’ll Go” (interpretada por Auli’i Cravalho). Para ser sincero, “Moana 2” está longe de ser marcante. Para o público infantil, pode funcionar e cativar da mesma forma que o filme anterior, mas para os adultos, as canções e a trama tendem a ser rapidamente esquecíveis.
Honestamente, esse filme parece mais uma medida necessária para manter a personagem em evidência, aproveitando sua popularidade para vender produtos estampados com seu rosto. O carinho e o apego que as pessoas têm por Moana são inegáveis, mas a verdadeira pergunta é: a busca por novas aventuras não seria, em si, uma tentativa de capitalizar sobre um conto já consagrado?
Em última análise, a decisão de continuar com Moana — ou qualquer outra marca de sucesso — exige um equilíbrio entre a pressão para manter a relevância e o risco de perder o frescor e a magia que tornaram a história original tão especial. Moana 2 é, sem dúvida, uma animação cativante, mas sua força se esgota após seus 100 minutos de duração, tornando-se um produto descartável que dificilmente será lembrado com o mesmo carinho que seu antecessor. Este segundo filme depende muito do sucesso do primeiro e espera-se que um terceiro capítulo (quase confirmado em uma cena pós-créditos) seja mais criativo e impactante, pois essa personagem e seus fãs realmente merecem.