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“O Dublê”, a diversão instantânea dirigida por David Leitch

“O Dublê”, a diversão instantânea dirigida por David Leitch

Todo o sucesso dos filmes de ação ou até mesmo de outros gêneros estão sempre atribuídos aos astros que protagonizam essas produções. Chega ser inacreditável saber que determinado ator ou atriz fez uma sequência de ação sem precisar de dublê, no entanto apenas poucos que realmente estão ali desempenhando uma atuação que não precise de fato de um dublê, atualmente, o nome mais óbvio que vem em nossa mente é o de Tom Cruise. O coordenador de dublês e também diretor David Leitch nos agracia com “O Dublê”, seu novo filme de ação, que fala sobre fazer filmes de ação e a função dos dublês dentro do cinema de maneira mais humorada.

Colt Seavers (Ryan Gosling) tem tudo: o respeito de seus colegas como um dos melhores dublês do ramo e um relacionamento com a cineasta em ascensão Jody Moreno (Emily Blunt). Mas quando Colt sofre um acidente de trabalho que machuca as costas, ele desaparece completamente daquele mundo, deixando para trás seus colegas e Jody para conseguir um emprego de manobrista em Los Angeles.

Com o passar do tempo, Colt fica surpreso ao receber um telefonema da produtora de cinema Gail Meyer (Hannah Waddingham), que implora que ele reconsidere sua aposentadoria. Compreensivelmente, Colt está hesitante em retornar. Mas Gail tem uma agenda secreta: este novo projeto é a estreia da “visionária” diretora estreante Jody Moreno, e Colt é o único em quem Gail confia para evitar que a problemática produção desmorone. Se ele se sair bem, poderá recuperar a confiança e reconquistar sua antiga paixão. Tudo o que ele precisa fazer é ajudar a recuperar a estrela desaparecida do filme, Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson).

“O Dublê” é baseado em um seriado de televisão originalmente chamado de “Duro na Queda”, aqui não irei fazer nenhum tipo de comparação com a série, já que nunca tive contato com ela. O filme de Leitch é consciente naquilo que ele para oferecer ao seu espectador: diversão. Sim, estamos diante de um dos filmes mais divertidos do ano, não que ele vá te render gargalhadas do começo ao fim, porém, a ação e o humor que o longa possui nos deixa entretido durante seus 126 minutos.

Roteirizado por Drew Pearce, nos é oferecido uma trama sem muita novidade, que possui um vilão burro com um plano burro, mas nada disso importa, o que importa mesmo é a execução. Todas as cenas de ação são bem coreografadas, bem dirigidas, com planos sequência bem longos para termos noção de como um profissional da área se comporta e os riscos que ele corre durante todo o percurso da sua atividade.

Não existe uma carga dramática em “O Dublê”, ou até mesmo uma discursão que nos faça refletir sobre essa profissão. Isso não é nenhum demérito para o filme. Aliás, o longa-metragem está cheio de piadas sobre a área, uma delas é sobre não existir categoria de ‘Melhor Dublê’ no Oscar. Então, o “drama” e até mesmo as reflexões estão lá, mas em forma de humor. Cabe o espectador ter um senso crítico mais apurado para fazer tal reflexão.

O humor do filme é algo divino e bem vivido por Ryan Gosling, o ator se encaixa perfeitamente bem gênero, ele consegue entregar uma fisicalidade em sua atuação, e já não é a primeira vez que presenciamos isso vindo dele, recentemente ele fez algo similar em “Barbie” (2023) e em Dois Caras Legais (2016). Outra coisa que funciona bem aqui são as referências, o filme não precisa fazer uma viagem no tempo para fazer homenagens a cultura pop, a produção referência filmes mais recentes e tudo é usado de uma forma bem inteligente. Existe uma cena hilária que homenageia comédias românticas, nunca tinha visto uma música da Taylor Swift sendo bem utilizada como foi usada aqui.

David Leitch está se tornando um diretor bem interessante para se acompanhar, uma das suas características que andei reparando é a necessidade de desenvolver projetos novos. Esqueçam sequências de “Atômica” (2017), “Deadpool 2” (esse vai ganhar uma sequência mais sem Leitch na direção) e “Trem-Bala” (2022), até o momento o diretor está focado em contar novas histórias.

Um veredito final, “O Dublê” é um respiro cinematográfico de alívio, não se compromete a nada e só propõe diversão. É um filme leve, que não possui segredos para serem desvendados e garante um bom entretenimento. De fato, os filmes dirigidos por David Leitch podem servir como uma válvula de escape quando estivermos enfadados de produções mais intensas.