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“O Menino e a Garça”, de Hayao Miyazaki é uma contemplação de tudo que o cineasta já produziu

“O Menino e a Garça”, de Hayao Miyazaki é uma contemplação de tudo que o cineasta já produziu

Infelizmente nem tudo é para sempre, mas no cinema alguns cineastas se tornam eternos graças as suas obras. Com 83 anos, Hayao Miyazaki é um diretor que já se eternizou. Diziam que o japonês estava aposentado, mas agora com o seu regresso, ninguém pode afirmar que o seu novo longa, “O Menino e a Garça” marca o fim da sua carreira, porém, caso seja, posso afirmar que é um encerramento que contempla tudo que ele já fez de melhor.

Mahito (Soma Santoki), um menino de onze anos que vive nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, ele corre em direção a um prédio em chamas, procurando desesperadamente por sua mãe. Flashbacks ardentes daquele evento que mudou sua vida assombrarão o jovem Mahito até que ele compreenda o luto. Dois anos depois, Mahito e seu pai se mudam para uma grande propriedade no interior que pertence à família da falecida mãe. Lá, eles estarão mais perto da fábrica do pai, que produz peças para aviões de combate, e da carinhosa tia Natsuko (Yoshino Kimura). Envolvida romanticamente com o pai de Mahito e grávida, agora ela agora é sua madrasta.

Essa descrição é apenas uma ponta da trama do novo filme do Miyazaki, estamos diante de algo sensível e intrigante, tudo que acontece com Mahito nos minutos iniciais é um aviso sobre se perder nas ilusões que nossa própria mente cria para nos “proteger” da dor e suportar momentos difíceis que passamos.

Depois de tantos filmes esteticamente impecáveis, é fácil apontar e dizer que o trabalho de direção artística exibido nas obras-primas animadas de Miyazaki está excelente aqui, mas os cenários requintados com detalhes meticulosos em “O Menino e a Garça” nos lembram mais uma vez que o que o Studio Ghibli faz é construir universos.

Sim, “O Menino e a Garça” é Studio Ghibli na mais pura essência que conhecemos, mas aqui, particularmente falando, achei a animação mais fluida do que animações mais antigas do estúdio, isso é fácil de notar quando Mahito corre em direção ao prédio em chamas citado em alguns parágrafos acima. Se você já está familiarizado com as produções do Ghibli, provavelmente vai se sentir confortável com essa atual e não vai se surpreender com a fantasia que gira em torno do longa-metragem, apesar de toda dramaticidade presente.

Aqui temos algo sensível, doloroso e reflexivo, através dessa narrativa, “aprendemos” que podemos lamentar aqueles que se foram, podemos reviver a juventude e podemos tentar dar sentido ao que parece ser incompreensível e inaceitável no final. “O Menino e a Garça” é sobre a superação do luto e muito mais, e tudo isso é representado através de metáforas que apenas Hayao Miyazaki proporciona como ninguém.

“O Menino e a Garça” de Miyazaki nos ensina perseverar. Se esse filme for o último do cineasta, posso afirmar que estamos diante de uma obra arrebatadora, já que são poucos os cineastas que trabalham com animação que tem a capacidade de soltar verdades através de pinturas em movimento vividamente representadas como Miyazaki. Temos que nos sentir honrados ao saber que o maior mago das animações nos proporcionou com um dos seus melhores feitiços no final da sua carreira.