Antes de mais nada, a primeira coisa a ser dita aqui é a lamentação de ‘Os Rejeitados’ ser lançado depois do natal em circuito nacional. O novo filme dirigido por Alexander Payne teria tudo para ser a comédia dramática natalina do ano de 2023. Além disso, o filme marca o reencontro entre o cineasta e o ator Paul Giamatti 20 anos depois de terem trabalhado em ‘Sideways’.
Com roteiro original de David Hemingson, o filme se passa na Barton Academy, uma escola preparatória fictícia da Nova Inglaterra em 1970. As férias de Natal são iminentes, e Angus (Dominic Sessa), um excelente aluno com habilidades sociais questionáveis, está animado para conhecer com sua mãe às praias ensolaradas de St. Kitts. No entanto, um de seus professores, o Sr. Hunham (Giamatti) é forçado a permanecer no campus durante as férias de Natal para cuidar de um punhado de alunos que não têm para onde ir. Eventualmente, ele forma um vínculo improvável com um deles e com a cozinheira-chefe da escola, que acaba de perder um filho no Vietnã.
‘Os Rejeitados’ é uma espécie de “Esqueceram de Mim” dos tempos modernos. Esqueça as travessuras no qual o personagem de Macaulay Culkin nos proporcionou, aqui a linha de humor é mais ácida e o personagem vivido por Giamatti possui essa característica e nos entrega esse elemento divinamente bem.
Os clichês dos filmes de final de ano são bem trabalhados em “Os Rejeitados”, da direção de arte a figurino e indo um pouco mais além. A imagem possui um granulado confortante e também existe transições de cenas bem estilosas, aparentemente simulando um efeito de cortina.
No geral temos uma aventura de final de ano bem pé no chão, que não chega ser tão inovadora assim, mas bem coerente com a realidade. Em alguns momentos chega ser previsível, já que sabemos que uma hora iremos ver o trio principal, Angus, Hunham e Mary se unindo. Segredos serão revelados (nada escandaloso, claro), e o trio retornará à escola em janeiro mudado de alguma forma. Antes de qualquer gargalhada proporcionada, iremos nos deparar com uma montanha-russa de emoções.
Payne e o diretor de fotografia Eigil Bryld fazem algo icônico, o campus nevado de Barton até evoca um pouco da “História de Amor” dos anos 70. Como citei alguns parágrafos a cima a questão da granulação que o filme possui, a estética é tão bem feita que “Os Rejeitados” parece mais um filme dos anos 70 do que alguns longas que marcaram época.
O filme é genuinamente bem humorado. Confio em dizer que é um tipo de humor que não está tão presente no nosso dia a dia, aparenta muito em alguns momentos ser uma piada interna, mas não é. Sem duvidas, uma das melhores comedias de fim de ano dos últimos anos, está longe de flertar com qualquer besteirol que nos é servido todo fim de ano.