A franquia ‘Pânico’ retornou com o quinto título em 2022. Esse regresso/sequência pode ser considerado como um dos maiores suspiros de alívio cinematográficos nos últimos anos. A produção não se mostrou apenas mais como um bom filme, mas podemos dizer que superou algumas expectativas. Sem dúvidas foi um dos maiores acertos dos últimos anos. Um pouco mais de um ano, às expectativas giram em torno da continuação, “Pânico 6”, que ainda conta com dupla de diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. Mais uma vez eles conseguiram entregar um bom filme e oferecer uma continuação bem estruturada para a película anterior.
‘Pânico 6’ começa alguns meses depois do último filme, deixando Woodsboro de lado, dessa vez tudo ocorre em Nova York. Não é a primeira vez que a franquia muda de locação, mas aqui todos os cenários envolvidos funcionam de maneira mais eficaz. Além disso, essa mudança oferece a Pânico 6 um melhor desenvolvimento aos personagens, até mesmo os personagens mais históricos. Sam Carpenter, vivida por Meissa Barrera, segue traumatizada pelo ocorrido em Woodsboro, ela está acompanhando sua irmã Tara (Jenna Ortega) em Nova York, cidade onde ela está fazendo faculdade. Os irmãos gêmeos Chad e Mindy Meeks, interpretados por Mason Gooding e Jasmin Savoy Brown, respectivamente, também se mudaram para a cidade e se matricularam na mesma instituição. Unidos, eles servem como uma rede de apoio um para o outro. Se juntam ao grupo Anika (Devyn Nekoda), Ethan (Jack Champion) e Quinn (Liana Liberato).
Esse nova fase da vida deles vira de cabeça para baixo quando um novo Ghostface surge e começa a persegui-los. Na medida que assassinatos vão acontecendo, Sam se torna a principal suspeita em uma investigação liderada pelo detetive Bailey que por coincidência é o pai de Quinn. O surgimento de um novo assassino traz de volta personagens mais familiares, como a repórter Gale e Kirby, que sobreviveu a um ataque do Ghostface em ‘Pânico 4" e agora é uma agente do FBI.
Sendo uma continuação direta, é preciso ter assistido o quinto filme da franquia para servir de base de compreensão para alguns acontecimentos desse sexto. Aqui os personagens de Ortega e Barrera estão cada vez mais estabelecidos, em algum momento pode ser que Jenna assuma o protagonismo da franquia por conta da sua ascensão como atriz, mas esse ainda não é o momento. A maioria dos acontecimentos aqui ocorrem em torno de Sam. Da mesma forma os gêmeos tem seus momentos de destaque e conseguem ser ainda mais desenvolvidos. Isso é o que todo mundo deve saber antes de assistir ‘Pânico 6’.
Os diretores querem seguir novos caminhos, logo na abertura eles apresentam uma das cenas de abertura mais brutais da franquia. Tal cena não está aqui apenas para chocar, mas ela flerta de forma magnifica com terrores “culturais”, como uma mulher entrar em um beco escuro durante a noite. Não existe enrolações no roteiro de Vanderbilt e Busick, os 123 minutos de filme são objetivos e diretos, literalmente uma aula de como revitalizar uma franquia de terror famosa. O longa-metragem é uma experiência que emociona e surpreende, mantendo a tensão o ponto mais forte da produção, mas ainda sim existem espaços para o público respirar sempre que ocorre uma cena de ação.
Tem horas que o filme nos indica que alguns elementos novos podem aparecer, como por exemplo, nos primeiros minutos do longa ocorre uma determinada ação que surpreende capaz de te fazer dizer: “é sério que vai acontecer isso?’’, mas infelizmente os diretores não teve a coragem para manter essa decisão. Outro elemento aqui é de algum ser paranormal começar a dar as caras em um futuro próximo. Nesse filme já temos um pouco disso, mas digo mesmo de uma entidade assumir o manto do ghostface. Provavelmente seriam elementos que iriam descaracterizar a franquia, mas seria interessante tomar esse tipo de risco.
Em quesitos técnicos o filme esbanja elementos que agregam ao seu enredo, como a paleta de cores vermelha e um tom de preto que transmite uma profundidade infinita se tratando da escuridão, o diretor de fotografia Brett Jutkiewicz captura e equilibra esses dois tons que impressiona.
Em última análise, “Pânico 6” possui a mesma estrutura de alguns filmes da própria franquia, talvez você se recorde e ache até similar alguns acontecimentos desse longa-metragem com seus antecessores, no entanto Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett executam isso aqui tão bem que por mais que se pareça repetitivo, não vai deixar de ser um frescor todo ano que for lançado um novo Pânico.