Todos nós devemos concordar que leva anos para que os longas-metragens sejam desenvolvidos, escritos, filmados e lançados. Embora Inteligência Artificial tenha sido um tema bastante recorrente no gênero ficção científica há anos, parece que não existe melhor momento do que agora para lançar um filme sobre uma IA que domina o mundo e escraviza a humanidade. Gareth Edwards, conhecido por dirigir Godzilla (2014) e Rogue One (2016) tem esse privilégio de nos propor um filme que em sua execução não desempenha uma reflexão no espectador por conta de ser uma fantasia, entretanto, ele consegue submeter uma autoria admirável.
Em meio a uma futura guerra entre a raça humana e uma inteligência artificial, Joshua (John David Washington), um endurecido ex-agente das forças especiais que sofre com o desaparecimento de sua esposa (Gemma Chan), é recrutado para caçar e matar o Criador, o “arquiteto” da IA avançada que desenvolveu uma arma misteriosa com o poder de acabar com a guerra e com a própria humanidade. Joshua e sua equipe de agentes de elite viajam até o território ocupado pela IA, apenas para descobrir que a arma que acaba com o mundo que ele foi instruído a destruir é uma IA na forma de uma criança.
Lendo a sinopse do filme de Edwards podemos pressupor que estamos diante de um filme de ficção cientifica com toques de ação. Eu estaria mentindo se eu falasse que a produção não é isso, no entanto, vai além disso. A ação, muito presente aqui, se destoa daquelas cenas frenéticas repletas de efeitos especiais que estamos acostumados a assistir, mergulhado numa filosofia de monges, onde tudo é mais tranquilo, a ação é lenta assim o desenvolvimento da história.
O roteiro assinado por Chris Weitz e pelo próprio Edwards nos permite viver uma montanha russa de reviravoltas dentro trama. Reviravoltas essas que não posso citar muito aqui para não estragar a experiência de quem for assistir, mas vemos com muita coragem o protagonista mudar ter seus próprios interesses dentro de uma guerra que existe dois lados e que nenhum dos lados estejam certos.
Embora se baseie em inspirações identificáveis, “Resistência” é um dos melhores épicos de ficção científica originais dos últimos anos. Mesmo com um tom de seriedade, o longa consegue nos divertir. Gareth Edwards, como diretor, constrói um mundo envolvente, fascinante e profundo em todos os níveis. Apesar desse universo está habitado em 2065–2070, não vemos algo tão futurista, possivelmente os carros, próteses de membros, robôs e uma nave gigante que se comporta como uma Estrela da Morte.
Particularmente falando, o que mais agrada em “Resistência” é a fotografia deslumbrante de Greig Fraser e Oren Soffer, principalmente em uma cena de batalha durante o dia, com um céu amarelado graças ao sol se pondo. John David Washington possui uma performance. Outro destaque positivo é Madeleine Yuna Voyles como Alphie e assim temos uma atuação infantil excelente.
Pontuando algo negativo, os 134 minutos de duração do filme são sentidos, eles se arrastam e aparenta um não desenvolvimento da trama. Talvez seja por esses motivos que muita gente tem um receio com o gênero de ficção científica. Por mais que esse filme caia nessa mesmice, ele se destoa em ter diálogos e uma trama bem fácil de ser compreendida. Por algum momento a produção nos faz sentir que algo bizarro vai ser revelado, como um androide gigante ou alguém invencível, mas não, o filme continua mantendo o mesmo equilíbrio do primeiro.
Posso afirmar que aqui temos um dos melhores filmes Sc-Fi dos últimos anos. Gareth Edwards faz um trabalho fantástico ao capturar uma história criativa sobre a humanidade. Sem falar que junto com “Rouge One” temos um dos melhores trabalho desse cineasta que mostra uma assinatura bem autoral em tudo que se propõe em dirigir. Em última análise, genuinamente “Resistência” pode ser considerado como uma carta de amor aos fãs de Sc-Fi.