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“Ruby Marinho: Monstro Adolescente”, de Kirk DeMicco é uma aventura divertida que falha em querer transmitir uma mensagem madura

“Ruby Marinho: Monstro Adolescente”, de Kirk DeMicco é uma aventura divertida que falha em querer transmitir uma mensagem madura

A DreamWorks é conhecida por ter uma determinada fama de satirizar através das suas animações, possivelmente Shrek é a principal sátira do estúdio cheio de piadas e indiretas a outras animações, inclusive para a Disney e seus produtos. Coincidentemente o novo filme da DreamWorks, “Ruby Marinho — Monstro Adolescente” dirigido por Kirk DeMicco chega algum tempo depois da Disney lançar mais um dos seus live actions, “A Pequena Sereia”. “Monstro Adolescente” está longe de fazer grandes alfinetadas na produção mais recente da Disney, entretanto, o filme de DeMicco está focado em contar uma história de amadurecimento, pelo menos é o que ele tenta.

A doce e desajeitada Ruby Gillman, de 16 anos (Lana Condor) está desesperada para se encaixar na Oceanside High, mas na maioria das vezes ela se sente invisível. Ela está dando aulas de matemática para sua paixão Connor (Jaboukie Young-White). Ela é proibida de sair para praia porque sua mãe superprotetora (Toni Collette, Knives), proibiu Ruby de entrar na água. Mas quando ela quebra a regra nº 1 de sua mãe, Ruby descobre que ela é descendente direta das rainhas guerreiras Kraken e está destinada a herdar o trono de sua avó (Jane Fonda), a Rainha Guerreira dos Sete Mares. Os Kraken seguem o juramento de proteger o oceano contra as sereias vaidosas e famintas por poder. Há um grande e imediato problema com isso: a nova garota bonita e popular da escola, Chelsea (Annie Murphy) é uma sereia.

Se você estava ansioso para assistir a próxima animação da DreamWorks depois da grande surpresa positiva que foi “Gato de Botas 2: O Último Pedido”, desculpa desapontar, mas “Ruby Marinho: Monstro Adolescente” não chega nem perto do que foi o segundo longa do Gato de Botas, porém, DeMicco consegue agregar pontos positivos em seu filme. Parece que virou tendência entre às animações pegar figuras consideradas estranhas para fazer analogias e discutir o preconceito, seja ele racial, sexual ou qualquer outro. Aqui Ruby tem uma aparência azul e vive entre humanos, era de se esperar que a personagem sofresse algum tipo de bullying no colégio, mas Ruby tem um grupo de amigos e vive tranquilamente, o que dá para notar é a falta de confiança e de autoestima na protagonista que acaba criando paranoias em sua cabeça.

Quando ela se transforma em Kraken, Ruby fica preocupada e entra em pânico pelo o acontecimento, os humanos — que quase não a viram; estão mais surpresos em saber sobre a existência de algo do que falar sobre sua aparência. Logo então aquela tendência citada no parágrafo anterior perde suas forças aqui. Em seguida vem uma alteração de humor da jovem ao descobrir o que ela é de verdade, já que sua mãe sempre decidiu omitir os fatos.

O que vemos o roteiro de Pam Brady fazer é discutir algumas questões interessantes, como sempre ouvir os conselhos de alguém que se importa, nesse caso Agatha Marinho, a mãe da Ruby. Por tanto, se tratando da trama principal, o roteiro é bem básico e bastante preguiçoso em ser mais ousado na hora de causar. Existe uma rivalidade entre kraken e sereias e é apenas isso, ele nos diz que existiu uma batalha no passado, mas não nos diz os motivos, aqui teve só uma inversão de papéis, Kraken são os bonzinhos da história e às sereias vilãs. Um fator curioso são apenas mulheres que ficam gingantes, os homens Kraken são apenas parceiros amorosos que tomam conta das tarefas domesticas.

Em termos técnicos o filme nem tenta ser estilizado, e se arriscar, já que segue o mesmo padrão de animado como a maioria das animações do estúdio. Em alguns close-ups em Ruby, sua forma como kraken lembra bastante o Banguela de “Como Treinar o Seu Dragão”.

Em última análise, “Ruby Marinho: Monstro Adolescente” utiliza uma receita bem básica de animações bem manjadas, os ingredientes são: piada, música pop genérica, cena de ação, música pop genérica, cena emocional, música pop genérica, resolução de história e sequência de dança final com os personagens todos felizes. Provavelmente esse longa consiga entreter seu público alvo, mas irá desapontar o adulto que esteja esperando uma lição de moral vindo de uma animação. Para eles eu digo: primeiramente o raio (Gato de Botas 2) não cai duas vezes seguidas no mesmo lugar e segundamente, o endereço do Studio Ghibli é outro.