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Sem inovar, “Anônimo 2” mantém o que funcionou em seu antecessor

Sem inovar, “Anônimo 2” mantém o que funcionou em seu antecessor

“Anônimo 2”, dirigido por Timo Tjahjanto, chega como uma continuação esperançosa do longa original de Ilya Naishuller, que surpreendeu pelo frescor e pela ousadia. Embora Timo tente replicar muitos dos conceitos que tornaram o primeiro filme marcante, o resultado não alcança o mesmo impacto. Ainda assim, há um charme inegável em sua execução: a adrenalina corre solta, o ritmo não dá trégua e, para os fãs de ação, o filme entrega o suficiente para entreter. Em termos de cenas frenéticas de tiroteios e combate, “Anônimo” talvez já possa ser considerado uma franquia e, dentro desse território, é a que mais se aproxima do estilo coreografado da saga John Wick.

Em “Anônimo 2”, Hutch Mansell (Bob Odenkirk) retorna ao centro da ação quatro anos após os acontecimentos do primeiro longa. O homem que havia trocado o mundo de tiros e perseguições pela rotina familiar volta a se ver enredado em um trabalho repleto de riscos e violência, o que aumenta ainda mais a distância entre ele, sua esposa Becca (Connie Nielsen) e seus filhos. Cansado das tensões e buscando recuperar os laços perdidos, Hutch decide organizar uma viagem em família para um parque aquático onde passava os verões de infância ao lado do irmão Harry (RZA). Com a presença de seu pai David (Christopher Lloyd), todos partem para a tranquila e turística cidade de Plummerville, dispostos a aproveitar dias despreocupados. No entanto, esse cenário aparentemente idílico logo se desfaz quando uma confusão banal com moradores locais se transforma em um gatilho para uma nova onda de caos e confrontos mortais.

Reconheço o mérito do diretor em buscar um caminho distinto do longa original e, de fato, ele consegue estabelecer um tom próprio que diferencia “Anônimo 2” de seu antecessor. No entanto, mesmo com essa tentativa de autonomia, a obra ainda se apoia excessivamente em sua sucessão de confrontos e tiroteios, funcionando quase como um pretexto para acumular sequências de ação. Ao menos, são cenas intensas e bem coreografadas. Um exemplo é a substituição da icônica cena do ônibus do primeiro filme por uma sequência em um barco, que se destaca como o momento mais marcante da produção, revelando um lado de vulnerabilidade no protagonista.

O longa-metragem de Timo não busca em momento algum se revestir de seriedade. Essa continuação abraça ainda mais o exagero e o humor, elevando as situações a um tom quase cartunesco. As lutas são coreografadas com um espírito de espetáculo, lembrando a leveza debochada dos clássicos de Bud Spencer e Terence Hill, mas aqui temperadas com mais sangue e violência gráfica. Entre diálogos carregados de ironia e cenas que parecem saídas de uma HQ, o filme encontra sua identidade ao não ter medo de rir de si mesmo enquanto entrega pancadaria estilizada.

Mas, sem dúvidas, se há algo além das boas cenas de ação que merece destaque em “Anônimo 2”, é o fato de ser também um filme sobre paternidade. Hutch pode não ser o melhor exemplo de pai por causa de seu trabalho violento, mas tenta ensinar ao filho mais velho que recorrer à força não é a solução, mesmo que ele próprio continue resolvendo seus problemas dessa maneira, sobretudo quando alguém ousa ameaçar sua filha caçula. Como marido, ele se esforça para estar presente, embora as responsabilidades e missões atrapalhem constantemente essa relação. As comparações com o primeiro filme são inevitáveis: se antes Hutch buscava afastar sua família do perigo, agora, em uma pequena cidade onde todos acabam se tornando alvos, ele vive um dilema entre protegê-los ou lutar ao lado deles, principalmente junto de sua esposa.

É notável que todo o elenco esteja claramente se divertindo em cena. Bob Odenkirk, aos 62 anos e mais conhecido por sua veia cômica, domina o papel com segurança, e seu personagem, assim como o projeto em si, representa um verdadeiro refresco em sua carreira. O filme se destaca por recusar os estereótipos habituais associados a atores do gênero de ação, entregando um protagonista improvável que, ainda assim, convence e empolga em sequências de luta corporal. Além disso, a presença de Sharon Stone confere um brilho extra à produção, reafirmando seu talento, afinal, ela é Sharon Stone.

É inevitável que “Anônimo 2” desperte comentários simplistas, pois sua direção, embora competente, nunca vai além da função básica de entreter. Procurar qualquer profundidade seria ilusório, já que o filme se apoia quase por completo na fórmula estabelecida pelo antecessor, sem acrescentar novas camadas narrativas ou estilísticas. O resultado, apesar de eficiente em seu propósito imediato, revela-se limitado e pouco ousado, deixando claro que a produção prefere repetir acertos em vez de arriscar caminhos diferentes. Ainda que haja espaço para um eventual terceiro capítulo, a dúvida que fica é se a franquia terá fôlego suficiente para não se tornar apenas mais uma repetição.