ORBE

“Shazam! Fúria dos Deuses” é a prova que um raio não cai duas vezes em uma mesma franquia do DCU

“Shazam! Fúria dos Deuses” é a prova que um raio não cai duas vezes em uma mesma franquia do DCU

Em 2019 o cineasta David F. Sandberg conhecido majoritariamente por dirigir filmes de terror decidiu fazer uma pausa para adaptar ‘Shazam’ aos cinemas. A mensagem do filme se trata sobre família sendo construída através da adoção, e além disso temos um protagonista que possui super poderes se comportando como uma criança interpretado por Zachary Levi. Com uma determinada aceitação do público, a DC Comics/Warner Bros decide produzir “Shazam! Fúria dos Deuses”, uma continuação com os mesmos elementos, mas que tenta expandir o universo.

“Shazam! Fúria dos Deuses” traz Levi e Asher Angel de volta para interpretar Billy Batson, um órfão que por vezes utiliza seus poderes para se esconder. Se o primeiro filme mostra Batson se relacionando com seus pais adotivos e seus irmãos, e no final todos acabam ganhando poderes semelhantes. Agora, a família terá inimigos divinos enquanto amadurecem suas forças.

A princípio o filme de Sandberg apresenta duas vilãs que prometem ser um ameaça grandiosa para Batson e seus irmãos, e até são, Lucy Liu e Helen Mirren dão vida às duas filhas mais ameaçadoras do Deus Atlas, existe uma terceira interpretada por Rachel Zegler, mas essa é mais apaziguadora, ela também vive um arco amoroso com um dos irmãos de Billy, Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer).

“Shazam! Fúria dos Deuses”, se encaixa naquele singelo grupo de filmes de heróis que daqui alguns anos vai entrar no esquecimento por ser mais um longa-metragem despretensioso no qual esse subgênero nos rendeu. Não falo nem em termos de qualidades, já que a direção de Sandberg é bem mediana. Aqui temos os mesmo elementos do primeiro filme se repetindo, como o humor infantil que perpetua no personagem principal, e para piorar de vez, resvala nos outros integrantes da família. A única que consegue escapar desse humor infantil é a irmã mais velha Mary (Grace Caroline Currey), que carrega um discurso de querer ir para faculdade e ajudar com às despesas da casa, mas toda essa sua motivação acaba não sendo levada a sério devido o humor que está ao seu redor.

O maior distúrbio de personalidade se encontra no protagonista, o Billy Batson vivido por Asher Angel está se tornando um jovem adulto, para pouco tempo de tela conseguimos notar uma certa seriedade que Angel aplica no seu personagem. Já o Billy de Zachary Levi é abobalhado, enfraquecendo qualquer tipo de vilania que o roteiro escrito por Chris Morgan e Henry Gayden impõe na produção, já que tudo é motivo de piada.

Entrando no quesito roteiro, não espere nada inovador, às vilãs possuem um plano mirabolante bem similar ao do General Zod, de “O Homem de Aço” (2013), sendo que mal desenvolvido e pior executado. Apesar do roteiro encontrar um artifício que faça o protagonista brilhar como protagonista e que precise menos da ajuda dos seus companheiros, é interessante a interação entre todos eles e como a personalidade de cada um está bem definida aqui. Infelizmente não existe uma sequência de ação marcante reunindo todos eles. Mas cada um tem seu momento e isso já está valendo.

Lógico que “Shazam! Fúria dos Deuses” tem seus momentos e sem dúvidas vai conquistar o público mais jovem. Entretanto, como aqui não oferece nenhuma novidade em relação ao primeiro filme em termos de linguagem cinematográfica, tudo ficou vazio em relação ao antecessor.

Se Shazam de 2019 foi um passe importante para o universo DC no cinema, sua continuação é a prova de que um raio não cai duas vezes em um mesmo lugar. Sem metáforas, mais uma vez a DC quase transforma um dos seus filmes em algo sombrio, mas nos minutos finais aparece o personagem que mais brilhou nesse universo da DC para dar brilho a um filme que sempre se propôs ser leve e divertido.