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‘Super Mario Bros. O Filme’, simboliza um começo promissor da Nintendo nos cinemas

‘Super Mario Bros. O Filme’, simboliza um começo promissor da Nintendo nos cinemas

Se ranquearmos os cinco personagens mais famosos de todos os tempos no mundo dos videogames, sem sombra de dúvidas o Mario Bros está na lista, e não é exagero se alguém dizer que é o personagem mais famoso dessa mídia. Sabemos que adaptações de jogos para o cinema não é um primor, temos mais decepções do que filmes de boa qualidade. Quem decide adaptar sempre se apresenta perdido, não sabe se faz uma animação ou um live-action, entretanto, a Universal Pictures/Illumination encontrou o formato ideal para iniciar a jornada da Nintendo nas telas grandes.

Por trás de ‘Super Mario Bros. O Filme’ existe uma estratégia interessante que é atrair a geração que cresceu jogando qualquer jogo do Mario. A isca ideal para isso é encher o filme de fan service no decorrer dos seus 90 minutos. Além disso, esse artificio que gera uma empolgação nos milénios pode acabar afetando espectadores mais jovens e futuros consumidores de jogos da Nintendo. Assunto para ser comentado mais à frente.

Enquanto trabalham no subsolo para consertar um cano de água que está inundando o bairro, os encanadores do Brooklyn — e irmãos — Mario (Chris Pratt) e Luigi (Charlie Day) são transportados por um cano misterioso e vagam para um novo mundo mágico. Mas quando os irmãos se separam, Mario embarca em uma jornada para encontrar Luigi. Mario é direcionado para o Reino dos Cogumelos, onde vive a princesa Peach (Anya Taylor-Joy) e Toad (Keegan-Michael Key), o lar deles está sendo ameaçado por Bowser (Jack Black) que conquistou a estrela especial e pretende utilizar para realizar um dos seus desejos.

Os diretores Aaron Horvath e Michael Jelenic apresentam uma aventura bastante objetiva para os espectadores. Aqui não existe muita enrolação, na cena de abertura temos Bowser e suas motivações sendo apresentadas e logo em seguida Mario e Luigi entram em cena. Em poucos minutos a produção é capaz de nos deixar com aquele sorriso de canto de boca graças a tudo que estamos assistindo da tela. Como já dito, somos bombardeados por referências que nos propõe positivamente um desequilíbrio emocional. No entanto, esse não é o carimbo que justifica o filme ser bom, Horvath e Jelenic são ousados em usar planos e enquadramentos que se assemelham a jogos de plataformas, isso se repete algumas vezes, mas não de maneira exagerada.

Nos videogames os jogos do Mario não possuem um roteiro aprofundado, alguns deles se resume em salvar a princesa, em ‘Super Mario Bros. O Filme’ o nível de profundidade não é tão diferente. O roteirista Matthew Fogel esquece de vez esse pensamento arcaico de ‘salve a princesa’ e atualiza para ‘encontre seu irmão que está preso em um reino perigoso’, tão mais atual e bem mais divertindo colocando Peach ao lado do protagonista e o ajudando no seu objetivo. Além disso, o roteiro vende uma mensagem de amor não correspondido do vilão pela mocinha.

É um fato que Hollywood roubou a estética dos videogames há anos para conseguir competir com a mídia e não seria diferente disso está presente em uma produção baseada em um jogo. O longa é divertido e remete bons momentos dos games, até mesmo simulam algumas fases nos guiando em uma panorâmica que vai da esquerda para a direita enquanto Mario e Luigi navegam por um canteiro de obras repleto de obstáculos. Uma sensação de movimento semelhante na qual só os videojogos nos permitem ter. Isso seria bem mais divertido com um controle na mão, não é mesmo? é aí que o filme consegue pontuar bem o que ele deseja através do público. A pessoa que cresceu jogando Mario vai ficar encantado devido ter uma memória afetiva, já o espectador mais jovem talvez queira jogar, mas ao mesmo tempo ele vai se sentir assistindo uma gameplay de um influenciador de jogos que ele está acostumado a seguir.

Em algum momento o filme está tão ocupado apresentando alguns personagens que às vezes acaba exagerando, às vezes chegam até mostrar determinado personagem uma única vez que nos fazemos a seguinte pergunta: não vai mais utilizar ele? A maior ressalva que faço sobre o filme não é diretamente sobre a produção em geral, mas sim sobre a Nintendo. Imagina sair do cinema com vontade de jogar os atuais jogos do Mario por meio legais e se assustar com os preços nada convidativos. Infelizmente no Brasil videogame é uma mídia cara e preços altos não é exclusividade da Nintendo, entretanto a empresa japonesa sempre foi retrógrada em baixar preços das suas franquias. Permitir desenvolver um filme do personagem mais famoso dos videogames para atrair novos consumidores chega ser incoerente quando seus preços para virar cliente assusta. Dito isso, quem não tem condições tem que recorrer a outros meios ou então apenas ficar com filme.

Como citado no título do texto, ‘Super Mario Bros. O Filme’ é um ótimo começo de uma nova era para Nintendo, suas franquias parecem que foram pensadas para algum dia serem adaptadas para o cinema e posso afirmar que esse dia chegou. ‘Super Mario Bros. O Filme’ pode se estabelecer ainda mais caso o público o abrace. Além do mais, o filme deixa bem evidente que existem outros reinos, dando uma possibilidade de futuras adaptações. Não vejo a hora de ver um épico animado no reino da franquia Zelda.