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“The Flash”, de Andy Muschietti se torna um acerto quando decide abraçar o besteirol

“The Flash”, de Andy Muschietti se torna um acerto quando decide abraçar o besteirol

Falar que filmes de super-heróis estão saturados toda vez que um novo estreia acaba se tornando um comentário saturado. A Warner Bros já foi além de saturar a imagem de personagens históricos da DC Comics no cinema. Dito isso, mais uma vez aqui está o estúdio para lançar mais um filme de herói que provavelmente você se esqueça em questão de minutos. Mas calma, isso não é uma introdução para dizer que o longa-metragem é uma bomba. Para surpresa de muitos ou até mesmo de poucos, “The Flash”, dirigido por Andy Muschietti surpreende positivamente, mas como todo filme, precisamos fazer algumas ressalvas sobre essa mais nova aventura de um dos velocistas mais rápidos do mundo.

Barry (Ezra Miller) é apresentado como um ser neurótico e um herói desajeitado que pode atravessar o país em segundos e salvar o dia. Quando não está com o traje de Flash, Barry tem poucos amigos e pouca esperança de se envolver romanticamente com Iris West (interpretada por Kiersey Clemons). Se sentido desolado e com traumas do passado consumindo sua mente, Barry usa seus poderes para viajar no tempo e mudar os eventos do passado. Mas quando tenta salvar sua família e acaba, sem querer, alterando o futuro, Barry fica preso em uma realidade na qual o General Zod (Michael Shannon) está de volta, ameaçando colocar o mundo em risco, e não há super-heróis a quem recorrer. Barry terá que persuadir um Batman (Michael Keaton) diferente a sair da aposentadoria e resgatar um kryptoniano (Sasha Cale) preso para o ajudar derrotar Zod.

O roteiro escrito por Christina Hodson nitidamente transforma o filme de Muschietti em uma comedia. Logo nos minutos iniciais, na primeira cena de ação do filme vemos um tom mais brincalhão do protagonista mesmo quando ele está em uma situação que requer um pouco de seriedade, não que isso seja uma novidade desse subgênero. Entretanto, quando Barry tira a roupa de Flash sua personalidade muda instantaneamente para algo mais atrapalhado e até mesmo melancólico.

A partir da melancolia do protagonista que os principais eventos do filme começam ocorrer. De tão enfadado com acontecimentos do passado, Barry corre como nunca e consegue atravessar uma barreira que o permite voltar ao tempo, ele literalmente faz o que muitos outros filmes estão fazendo: viajar pelo o multiverso. Aqui o conceito é o mesmo que já conhecemos: altere qualquer ponto do passado que algo do presente ou futuro sofrerá consequências.

A partir daí acompanhamos Barry em um universo paralelo que está prestes a ser destruído por Zod. Muschietti consegue executar bem o que planeja fazer. Se o Barry em sua realidade se sente deslocado em alguns momentos, nesse universo ele se torna mais madura ao ponto de virar mentor de uma versão mais jovem sua que tem apenas 18 anos. Polêmicas à parte na vida de Erza Miller, temos que ser franco que aqui o ator consegue diferenciar bem os tons dos seus personagens, ao ponto da sua versão mais nova ser bastante irritante e a sua versão mais madura reconhecer essa característica.

Outro ator que está bem é Keaton em seu regresso como Bruce Wayne/Batman. Não existe uma cena que o personagem de Keaton não esteja imponente e bem resolvido naquilo que se propõe: ser o Batman. Além do mais, esse acréscimo serve para os espectadores mais antigos que assistiram os filmes do Batman (1989/1992) dirigido por Tim Burton. Podemos considerar Sasha Calle um achado interessante para a indústria, seu visual como Kara está estilosa, uma pena que sua participação não dura tanto tempo.

É perda de tempo falar sobre o CGI do longa-metragem, a essa altura você já deve está sabendo que os efeitos especiais não são dos melhores. Apesar de possuir tons de comédia, “The Flash” ainda é um filme de ação, e como filme de ação, aqui o Batman consegue ter cenas mais legais do que o próprio protagonista do filme. Existe uma cena que envolve bebês que poderia ser bem marcante e, nos deixar com olhos arregalados, no entanto o sarcasmo e às piadas que o Flash faz durante o ocorrido nos deixa bem tranquilo sabendo que ele vai conseguir salvar o dia. Desde que o Flash começou a ser adaptado para o cinema ainda espero ver ele em uma sequência de ação como o Mercúrio teve em “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014) e “X-Men: Apocalipse” (2016).

Agora um dos melhores elogios que “The Flash”, Muschietti e Warner/DC Comics podem receber é não usar esse filme para criar uma expectativa para futuras produções. Existe sim cena pós-credito, mas ela está longe de servir como trampolim para o que vem pela frente. Muschiette utiliza muito fan service, referências e chega até homenagear filmes do passado, tem vezes que passa do ponto, e em algum momento ele perde a oportunidade de utilizar outras figuras da DC que já apareceram no cinema no passado.

Em última análise, em alguns momentos parece que a versão mais madura de Barry não é o protagonista do seu próprio filme, no entanto, desde o primeiro minuto o personagem está em constante evolução a ponto de conseguir solucionar todos os problemas ao seu redor sem precisar de ajuda, algo que ele buscou em boa parte do longa. Surgiram conversas que “The Flash” serviria para organizar o universo cinematográfico da DC, depois de passar pelos seus 144 minutos, posso dizer que “The Flash” veio para bagunçar ainda mais, e o melhor tudo que ele vai isso sem se levar a sério. Literalmente Andy Muschietti só se preocupou em nos divertir e esqueceu de amarrar seu filme no DCU.