Apesar de surgir no mapa em 2009 com curtas e longas, Paul King se estabilizou como cineasta em 2014 ao dirigir o primeiro “Paddington”, em 2017 ele nos entrega uma sequência arrebatadora e consegue nos oferecer um filme que costumo dizer que é o melhor filme Wes Anderson sem ter sido dirigido por Anderson. Após esse trabalho King se mostra eficiente para fazer qualquer outra coisa, até mesmo um clássico como a ‘Fantástica Fábrica de Chocolate”, tudo bem que seu novo filme, “Wonka”, não carrega o nome do clássico, mas posso dizer que nos cativa em todos os aspectos.
O filme mostra as origens do jovem Willy Wonka (Timothée Chalamet), antes de se tornar a mente brilhante por trás da maior fábrica de chocolate do mundo, Willy precisou enfrentar vários obstáculos. Cheio de ideias e determinado a mudar o mundo, o jovem Wonka embarca em uma aventura para espalhar alegria através de seu delecioso chocolate. Nela, ele acabou conhecendo o seu fiel e icônico assistente, Oompa Loompa (Hugh Grant), que o ajuda a ir contra todas as probabilidades para se tornar o maior chocolatier já visto.
A abertura de “Wonka” já nos mostra e nos prepara muito bem o que vem pela frente durante seus 17 minutos de duração. Nos deparamos com um Timothée Chalamet vivendo o jovem Wonka imponente em um barco chegando na cidade que ele pretende traçar o seu futuro, tudo isso enquanto ele está cantarolando divinamente bem de maneira surpreendente.
A trama de “Wonka” é algo bem simples e gira em torno de pagar dívidas para a Sr. Scrubbit (Olivia Colman) e Bleacher (Tom Davis), que administradores de um hotel que pegam pessoas desavisadas e Wonka é uma dessas pessoas. No geral o filme é trabalhado na base do encantamento. Paul King conseguiu criar um universo doce que nos faz acreditar em cada feitiço que um pedaço de chocolate pode transmitir. Os números musicais são bem desenvolvidos e dentro deles Wonka consegue vender suas criações para cidade inteira.
Aqui temos atuações de um elenco muito bom, como a própria Olívia Colman que faz o papel de uma pessoa má, mas está longe de ser a principal vilã. Temos uma participação pra lá de especial com Rowan Atkinson. Mas de fato a estrela aqui é Chalamet. Ele está ótimo como o protagonista da produção e consegue convencer em tudo que faz. Como já dito, é uma surpresa positiva ver esse rapaz cantando, possivelmente as coreografias não ajude muito a estabelecer ele como um ator de musical, mas aqui ele se mostra completo e está pronto para encarar qualquer gênero.
O CGI ajuda a nos imaginar essa mágica que cito em parágrafos a cima. Mas King volta a usar um artificio de efeitos práticos que aquece o coração do espectador mais saudosista em relação a efeitos especiais e ele nos mostra tudo acontecendo por trás dos bastidores. Existem cenas que vemos objetos e personagens sendo movidos por cordas e logo temos um corte mostrando de fato algum coadjuvante fazendo isso manualmente.
Essa nova abordagem nos entrega um Wonka mais humanizado, menos chato e ranzinza, talvez seja por motivos de ser uma origem do personagem, mas eu prefiro muito mais essa versão do que as outras, ainda mais as que retratam o personagem um ser intragável.
Em última análise, “Wonka” entra no seleto grupo de surpresas agradáveis no ano de 2023. Simplesmente no apagar das luzes, Paul King nos entrega um longa-metragem onde poucos estavam esperando. Vendo o resultado desse novo trabalho do cineasta, como um fã de “Paddington”, fico preocupado ao saber que King não fará parte do terceiro episódio do ursinho britânico nos cinemas.